Os árbitros sofrem nas mãos da Fifa

Terça-feira, Dezembro 8, 2009

Quando o comitê executivo da Fifa foi convocado para uma reunião de emergência, se esperava que alguma decisão relevante fosse adotada diante do escandaloso gol que classificou os franceses para a Copa do Mundo de 2010. Era natural crer que alguma determinação fosse adotada, afinal o espetáculo proporcionado pelo futebol e as arbitragens estavam pressionadas e colocadas sob dúvida.

Evidentemente, ações como anulação da partida entre França e Irlanda ou colocação da seleção irlandesa como 33ª participante do Mundial da África do Sul estavam descartados, diante dos absurdos que são. Mas ao revelar que a entidade iria analisar a ampliação do número de assistentes em campo, Joseph Blatter fez surgiu uma esperançar, mesmo que a ajuda eletrônica , decisão mais óbvia e interessante, estivesse descartada.

O resultado do encontro, porém, foi pífio. A Fifa, entidade que não aceita nem a colocação de um chip eletrônico na bola, tergiversou. Não muda nada. Na Copa de 2010, o juiz continuará sendo auxiliado por dois assistentes. E, claro, também pelo quarto árbitro (e em alguns casos, ele dá uma conferida na TV para ver se o Zidane deu uma cabeçada no Zidane ou se o gol brasileiro foi evitado por um toque de mão malandro dos egípcios…).

A Fifa, em tempos de recessão e lenta recuperação da economia mundial, resolveu não permitir a criação de mais dois novos cargos de trabalho no futebol. A ação, adotada no último Campeonato Carioca e na Liga Europa, de colocar assistentes atrás dos gols está, por hora, vetada.

Difícil é entender o motivo. Segundo Blatter, é preciso ter cuidado, fazer testes, conversar com comitês de árbitros e médicos. Muitas reuniões infrutíferas, já que ainda não entenderam que os erros dos juízes são cada vez mais comuns porque o jogo se tornou mais rápido, os atletas correm muito mais do que antigamente e os árbitros estão com dificuldades para acompanhar o ritmo das partidas. Enquanto a Fifa não descobre o óbvio é melhor os juízes correrem para a academia. E também para o oftamologista.

Aos franceses, o rigor da lei

Terça-feira, Dezembro 8, 2009

A Ffia tem o poder, mas em alguns momentos decide manter a desordem. Entidade responsável pelo gerenciamento do futebol no mundo, prefere não adotar regras definitivas para poder intervir ao seu modo quando for preciso. Com a França foi assim. Sem poder voltar atrás no indecoroso lance que classificou os gauleses ao Mundial da África do Sul, deu um jeitinho de prejudicá-los, deixando-os fora da relação de cabeças de chave da Copa de 2010.

Malandramente, a Fifa nunca deixou muito claro como define as oito seleções que lideram os grupos do Mundial. Nas últimas edições, costumava ser uma mistura entre os resultados das Copas mais recentes e do ranking da entidade. Dessa vez, porém, isso mudou. E surpreendeu quem não esperava um julgamento draconiano dos franceses.

Para 2010, a Fifa resolveu levar em consideração apenas o seu ranking. Mas preferiu ignorar a lista de novembro, que era influenciado pelos resultados da repescagem da Eliminatórias e, principalmente, tinha a França entre os sete primeiros colocados. Assim, utilizou a lista de outubro, que, claro, deixou os franceses fora da posição de cabeça de chave.

A decisão pode ser correta, mesmo que ignorar os resultados dos últimos Mundiais pareça ser um abuso. E o recado dado para a França é claro: “Aos inimigos, a lei”. Para azar dos torcedores do novo inimigo da Fifa, a equipe também é desorganizada e Raymond Domenech não se entende com os jogadores. Resta contar com o talento de Henry, Gourcuff e Ribery. Difícil acreditar que isso seja suficiente.

Quando Washington colocou o São Paulo em vantagem no Serra Dourada, uma história parecia voltar a se repetir. Assim como em 2005 e 2008, parecia que o Goiás ia voltar a ser coadjuvante de um título nacional do time do Morumbi. A lógica, afinal, mostrava que o Tricolor Paulista, com um elenco experiente e tricampeão nacional, teria condições de cozinhar o adversário no infernal calor de Goiânia e conseguir uma vitória fundamental para o título.

Mas não foi assim. Pior time de quase todo o segundo turno do Campeonato Brasileiro, o Goiás já havia mostrado no jogo contra o Flamengo que havia recuperado o futebol que o transformara no time mais chato do início da competição. Chato, eficiente e iluminado. E muito iluminado porque não era possível crer que jogadores como Rithely, Fernando e Léo Lima seriam alguns dos protagonistas do fim do sonho do tetracampeonato brasileiro do São Paulo.

O São Paulo sofreu com as ausências de Miranda e Dagoberto. Sem o zagueiro, o sistema defensivo se desorganizou. E Rodrigo e Renato Silva tiveram atuações bisonhas. Sem contar com o seu principal atacante, o São Paulo perdeu a criatividade e a ousadia no ataque e jogou demais pelo meio.

Assim, as principais e poucas chances de gol do São Paulo aconteceram em jogadas de bola parada, que consagraram Rafael Tolói. Muito pouco para superar o bem organizado Goiás. Fruto também dos problemas do time do Morumbi nas laterais. Jean, mais uma vez, foi inoperante ofensivamente. A tarefa de atacar ficou restrita ao lateral-esquerdo Júnior César.  Ele, porém, não conseguiu atacar por haver Vítor do outro lado. E o lateral-direito do Goiás deitou e rolou em cima do são-paulino, sendo o principal destaque do triunfo do melhor time do Centro-Oeste (e só isso também…) e mudando a sina dos últimos confrontos com o time paulista.

O sonho de ser tetracampeão do São Paulo foi sepultado. E, dessa vez, a torcida nem pode culpar Washington….

Eu acreditei. Escrevi nesse blog que o Corinthians daria muito trabalho ao Flamengo no duelo do último domingo. Apostei que a instituição seria colocada à frente da rivalidade com São Paulo e Palmeiras. Não foi isso o que se viu na derrota por 2 a 0, no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas.

O Corinthians não ofereceu resistência suficiente ao Flamengo, porque foi muito burocrático. E faltou bola porque é difícil cobrar isso de jogadores como Escudero, Moradei e o menino Dodô, lançado prematuramente no time profissional. Sobrou nervosismo e reclamações exageradas de atletas, como Elias, mais preocupado em xingar o juiz do que em jogar futebol.

E ainda houve Felipe. O goleiro que detonou um suposto corpo mole do Internacional em partida contra o Goiás, que contribuiu para o rebaixamento corintiano em 2007, falou muito durante a semana. E deu uma demonstração patética de caráter ao ficar parado no pênalti cobrado e convertido por Léo Moura. A responsabilidade corintiana vai até esse ponto.

Afinal, não dá para apagar os méritos do Flamengo no triunfo que o colocou na liderança do Campeonato Brasileiro. O rubro-negro voltou a mostrar a sua força em partidas fora de casa, sabendo se defender e decidindo a partida nos contra-ataques, o que já virou rotina – foi assim também contra Náutico e Atlético.

E o excelente momento longe do Maracanã é um sinal da maturidade da equioe. O Flamengo controlou o jogo contra o Corinthians, e após fazer o primeiro gol da partida, não teve o seu triunfo ameaçado. Isso também por conta das excelentes atuações de alguns jogadores.

Bruno vive fase técnica incrível e, seguro, fez boas defesas nos raros ataques perigosos corintianos, que foram poucos graças ao Ronaldo Angelim, perfeito nas jogadas aéreas e em antecipações. Além disso, Airton teve atuação surpreendente, eficiente na marcação e ainda fazendo a saída de jogo com muita qualidade. Soma-se a isso ao brilhante desempenho de Zé Roberto, veloz, criativo e lutador. O Flamengo sobrou contra o Corinthians.

Dunga vai tirar seis meses de férias

Quinta-feira, Dezembro 3, 2009

Dunga costuma ter dificuldades com entrevistas coletivas. Tem problemas com o domínio da língua portuguesa, ataca jornalistas gratuitamente e fala muito pouco sobre o que interessa. São chatas repetições de um discurso pobre sobre como é importante ter motivação para jogar na seleção brasileira.

Em raros momentos, porém, Dunga fala o que interessa e dá indícios sobre o que realmente pensa de jogadores e da seleção brasileira. Isso aconteceu na semana passada. Menos duro do que de costume, falou, após o anúncio dos candidatos ao Prêmio Craque do Brasileirão, sobre assuntos que ocuparão páginas de jornais e noticiários televisivos até momentos antes do início da Copa do Mundo.

“Tenho que dar confiança ao jogador, não posso ficar dando só um jogo de teste, principalmente quando o jogador vai bem. Se não for assim, o jogador vai perder a confiança e não vai render como pode”. Tradução: Michel Bastos, que foi regular contra Inglaterra e Omã, será convocado para o último amistoso antes da convocação do Brasil para a Copa. Se não fizer nenhuma bobagem nesse jogo, em março de 2010, vai à África do Sul.

“Não vai ser decidido no último segundo. A gente observa a regularidade do jogador. A gente tem bem claro na nossa cabeça, não vai ter modificação agora”. Tradução: alguém pode surgir e arrebentar no primeiro semestre de 2010, mas mesmo assim já pode ir comprando a televisão, já que vai assistir a Copa do Mundo bem longe da África do Sul.

“Eu vou pedir uma coisa a vocês (jornalistas). Não iludam o torcedor e não tentem me induzir aos mesmos erros do passado”. Tradução: vocês, jornalistas, apontaram o Ronaldo como um dos vilões pelo fracasso brasileiro na Copa do Mundo de 2006. Eu, Dunga, não esqueci disso. Não venham defender a convocação dele. Não vou levá-lo para fazer safári na África do Sul.

Pelos três trechos da entrevista coletiva, já é possível sugerir a paralisação, por ao menos seis meses, do futebol nacional após o encerramento do Campeonato Brasileiro. Os jogadores do País que atuam na Europa devem pedir férias prolongadas, até um período próximo a Copa do Mundo. Afinal, Dunga (até por já ter uma base pronta e que deu certo) não se importa com o que vai acontecer nos próximos meses. A seleção que vai buscar o hexacampeonato mundial já está definida.

Os destaques do Brasileirão

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Aproveitando a divulgação dos candidates ao Prêmio Craque do Brasileirão, apresento os meus destaques individuais do torneio:

GOLEIRO: VICTOR (Grêmio) – Melhor goleiro em atividade no Brasil, foi um dos poucos destaques da decepcionante campanha do Grêmio, que tinha elenco para brigar por uma vaga na Libertadores, mas nunca chegou a efetivar esse sonho. Só precisa ter mais sorte nos clássicos contra o Internacional.

LATERAL-DIREITO: Não voto em ninguém. A posição enfrenta problemas no futebol brasileiros (e a indicação de Vítor ao prêmio é uma clara mostra disso). Os destaques foram Léo Moura, que, porém, oscilou muito, mesmo tendo melhorado seu desempenho defensivo. Apodi e Jonathan se saíram bem ofensivamente, participaram de vários gols de seus times. Mas deixaram espaços na defesa.

ZAGUEIROS: ANDRÉ DIAS e MIRANDA (São Paulo) – Não é à toa que a força defensiva é a principal qualidade do São Paulo pelo quarto Brasileirão consecutivo. É muito difícil passar pelos dois. São eles que dão sustentação a qualquer outro zagueiro escalado por Ricardo Gomes (Renato Silva, quase sempre, ou Rodrigo).

Agora, não dá para entender a indicação de Ronaldo Angelim ao prêmio. O flamenguista só atua bem quando tem um zagueiro de qualidade por perto. Foi assim com Fábio Luciano e, agora, com Álvaro. Sozinho, sempre se complicou.

LATERAL-ESQUERDO: Também vou me abster nessa posição por considerar que ninguém apresentou um futebol convincente. Júlio César, que foi mal no segundo turno, Márcio Careca, que teve problemas na contenção, e Kleber, que sumiu em algumas partidas decisivas, foram os que chegaram mais perto.

Mas nada pior do que indicar Pablo Armero ao prêmio. Afinal, não foram poucos os adversários que exploraram a deficiência defensiva do lateral-esquerdo colombiano em partidas contra o Palmeiras.

VOLANTES: Vou só de GUIÑAZU (Internacional). O argentino é um monstro. Não é exatamente um ás em posicionamento, mas compensa alguns defeitos com uma garra inacreditável. Ao ver o Inter em campo, parece que existe mais de um Guiñazu em campo. Deve ser verdade.

Outros volantes também tiveram bons momentos. Pierre, que desfalcou o Palmeiras em momento decisivo do Brasileirão, Corrêa, que teve partidas brilhantes, mas caiu de rendimento na reta final, Hernanes, que oscilou, mas cresceu durante a ascensão do São Paulo, e os corintianos Elias e Jucilei, que, como o time do Parque São Jorge, pecaram pela falta de vontade em alguns jogos.

MEIAS: Dizem que faltam meias no futebol nacional. Não foi o que vi nesse Brasileirão. Nenhuma posição teve tantos destaques.

PETKOVIC (Flamengo) foi o mais decisivo deles. Palmeiras, São Paulo e Atlético foram três dos candidatos ao título que sofreram com o sérvio.

MARCELINHO PARAÍBA (Coritiba) se salvou em meio ao naufrágio do seu time. Evitou várias derrotas de um Coritiba que chega à última rodada correndo risco de ser rebaixado no ano do centenário.

MARQUINHOS E MURIQUI (Avaí) foram os principais destaques da campanha surpreendente e honrosa do time catarinense. Colocaram o Avaí entre os dez times do Brasileiro. Não é pouco.

CLEITON XAVIER e DIEGO SOUZA (Palmeiras) se completaram e foram os principais jogadores do time paulista. Formaram uma dupla afinada: Cleiton foi o meio-campista trabalhador, que comandava o setor e fazia o trabalho sujo para Diego Souza brilhar. E mesmo com críticas a sua disposição, foi brilhante várias vezes, principalmente contra times mineiros.

LEANDRO DOMINGUES (Vitória) voltou para a antiga casa, reencontrou o bom futebol e renovou a esperança de que pode se encaixar no meio-de-campo de qualquer clube grande do futebol brasileiro.

ATACANTES: O Brasileirão teve quatro grandes atacantes. ADRIANO (Flamengo), o melhor deles, o craque do campeonato, decisivo em partidas complicadas. Centroavante que fez zagueiros tremerem, treinadores mudarem esquemas táticos. Poucas vezes essas estratégias funcionaram e o atacante reencontrou a tal alegria que o tirou da Itália e a vaga na seleção brasileira.

DIEGO TARDELLI (Atlético-MG) foi o responsável pelos melhores momentos do seu time no campeonato. Foi artilheiro sem nunca ter sido antes na sua carreira, teve garra que nunca apresentou antes e mostrou habilidade e condicionamento físico comparáveis aos de qualquer astro do futebol europeu.

FERNANDINHO (Barueri) apresentou futebol que o faria brilhar em qualquer recanto do futebol brasileiro. Se perdeu em meio a uma novela sobre sua transferência (negociou com o Cruzeiro, mas parece que vai para o São Paulo). Afastou o perigo de rebaixamento do caçula do Brasileirão logo no início do torneio em que foi a principal revelação.

RONALDO (Corinthians) sofreu com uma lesão na mão e o excesso de peso. Quando jogou, porém, apresentou futebol de qualidade indiscutível. Estraçalhou o Fluminense na melhor atuação de um jogador neste Brasileirão. Mostrou que, mesmo longe da forma ideal, está muito acima do nível do futebol nacional.

Mala branca e hipocrisia caminham juntas

Sábado, Novembro 28, 2009

A hipocrisia e o falso moralismo estão em alta na sociedade. No futebol não seria diferente. E a reta final do Campeonato Brasileiro não poderia ficar sem uma falsa polêmica. Domingo passado, ainda atônito pelo desempenho pífio do Flamengo no empate por 0 a 0 com o Goiás, Ronaldo Angelim acusou o time adversário de ter tido a sua vontade de estragar a festa rubro-negra insuflada por uma “mala branca” oferecida pelo São Paulo de R$ 300 mil.

Nos dias seguintes, os jogadores do Goiás e o técnico Hélio dos Anjos rebateram o zagueiro flamenguista. Bateram forte no adversário e disseram que tiveram boa atuação no Maracanã por receberem bons salários, serem profissionais e outras coisas do gênero (ao menos, não citaram a “grandiosa” história da instituição Goyáz) que soam meio estranhas para o time dono da pior campanha do segundo turno do Brasileirão.

Nesse caso, todos erraram. Concordo que, teoricamente, jogadores não deveriam precisar de ajuda financeira para ganhar um jogo. Mas a realidade é diferente. E em final de campeonato, com o time em fim de feira, como é o Goiás, e com os salários atrasados, um dinheiro extra pode contribuir para uma boa atuação. E sem ferir preceitos éticos.

Assim, quem se diz contrário ao incentivo financeiro tem a frustração como real justificativa. E, claro, a hipocrisia também (geralmente, os mais revoltados são aqueles que não iam à aula de ética e pediam para um amigo assinar a lista de presença). Pode ser a frustração de não ter conseguido vencer, como no caso de Ronaldo Angelim. Ou a frustração de não participar da divisão da grana.

Alguém duvida que os telefones dos jogadores do Goiás receberam várias ligações do DDD 21 nesta semana?

É incrível que eu ainda me surpreenda, mas conseguiram afastar mais uma vez o torcedor do seu time, que vai atuar fora do seu palco preferido como mandante. Questão de segurança, disseram. A cidade de São Paulo não suporta que um Palmeiras x Atlético e um Corinthians x Flamengo seja realizado ao mesmo tempo.

Parece piada, mas as autoridades (bem remuneradas ou não?) responsáveis pela segurança dizem não ser possível organizar duas partidas de futebol ao mesmo tempo. Sinal de incompetência, evidentemente. Mas encarada com naturalidade absurda. Ninguém se assusta, se revolta ou procura soluções que não sejam atrapalhar o torcedor.

Corinthians x Flamengo é dos principais clássicos do futebol brasileiro. Dois times gigantes, com torcidas respeitáveis. Jogo para Maracanã ou Morumbi lotado, independentemente da fase da equipes. Jogo para o Pacaembu também, como seria no domingo. Com o Tobogã liberado para os flamenguistas, sedentos pelo título brasileiro. Jogo para Ronaldo se despedir do corintiano, diante de um time em que está motivado para vencer. Mas não será assim.

Corinthians e Flamengo vão se enfrentar em Campinas, no esburacado Brinco de Ouro, que está tão maltratado que nem terá toda a sua capacidade liberada para o clássico de domingo, decisivo para a definição do campeão nacional. Perdem o futebol, o Brasileirão, o Corinthians, o Flamengo e o torcedor. Mas quem pediu a transferência do jogo para outra cidade se deu bem – não vai trabalhar no domingo.

Sobrará vontade ao Corinthians contra o Flamengo

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Quase centenário, o Corinthians terá uma boa oportunidade de provar a sua grandeza no próximo domingo. Time grande tem que entrar sempre em campo para ganhar. Time grande não pode ver a cor da camisa do adversário ou a quem o seu triunfo vai ajudar. E a recuperação é necessária. Afinal, a equipe precisa encerrar a série de derrotas – as últimas foram para Avaí e Náutico. Azar do destino se uma vitória sobre o Flamengo irá ajudar os rivais São Paulo e Palmeiras na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro.

Só que não basta raça e disposição para derrubar o Flamengo. O time carioca teve, contra o Goiás, um tropeço que colocou o campeonato em risco, mas apresentou futebol de qualidade em todo segundo turno. Claro que não se pode dizer o mesmo do Corinthians. O time do Parque São Jorge tem se arrastado no Brasileirão, tendo o brilhante primeiro semestre como justificativa. Justificativa irracional, mas sempre utilizada.

Mas o fato é que o futebol desapareceu do Corinthians com as saídas de André Santos, Cristian e Douglas. Somado a desorganização tática, alguns problemas no elenco atrapalharam o desempenho da equipe. Além da falta de motivação, que não deve faltar no Brinco de Ouro. Afinal, ninguém vai querer ouvir que uma possível derrota aconteceu por causa do tal corpo mole.

Por isso, o Flamengo terá dificuldade extra no domingo. O Corinthians deverá abandonar a preguiça e buscar uma última atuação decente nesta temporada. Mesmo que alguns torcedores corintianos queiram uma derrota do próprio clube em uma clara demonstração de que colocam a rivalidade acima da grandeza do clube. Mas será uma surpresa se os jogadores fizerem o mesmo. Só o momento técnico ruim pode explicar uma nova derrota.

Zagallo, Ronaldo e a Copa

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

 

Zagallo é um sábio. O regionalismo não permite que ele seja respeitado como um ídolo nacional, infelizmente, mas é sempre bom escutar a opinião do Velho Lobo. Afinal, sem ser craque (e no seu tempo havia dezenas deles), ajudou a revolucionar o futebol, atuando mais recuado na Copa de 1958. Em 1970, organizou uma seleção que tinha vários talentos, mas não brilhava sob o comando de João Saldanha.

Cometeu, claro, suas burradas. Como em 1974, quando revelou total desconhecimento sobre a Holanda. Ou em 1998, quando relegou Edmundo, o melhor jogador em atividade no Brasil, ao banco de reservas. Coisas que acontecem, mas não apagam seus méritos. Por isso, é bom vê-lo recuperado, como aconteceu na semana passada, quando esteve em Curitiba.

Seu recado, sobre Ronaldo, foi claro. “Apesar de ter feito uma lipo, está gordinho, mas torço por ele, porque de centroavante é o melhor de todos”. “Eu espero que, dentro deste período (até a convocação final para o Mundial), ele mostre que fisicamente pode, porque capacidade técnica e habilidade ele tem. Só falta o lado físico para chegar e demonstrar: eu quero, eu vou”.

Duas análises perfeitas. Ronaldo fez lipo? Pois não parece! (como diria Luiz Pareto). E a forma física, que tanta polêmica levantou antes, durante e depois da Copa do Mundo de 2006, continua sendo o seu problema. Não que ela esconda o talento, mas demonstra falta de comprometimento, o que Dunga não perdoa.

Assim, a pré-temporada de 2010 do Corinthians pode definir a ida de Ronaldo à África do Sul. Em forma, Ronaldo vai fazer muitos gols quando jogar no Paulistão e será importante para o Coritnthians na Libertadores. Aí, Dunga e Ricardo Teixeira podem até não querer. Mas a opinião pública paga a passagem de Dunga para a Copa do Mundo.