Flamengo ainda mais forte em 2008

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

É inegável. O Flamengo é o time brasileiro com o maior poder de mídia do Brasil (alguns até dizem tratar-se da flaprensa). E isto é óbvio diante da imensidão de sua torcida. Assim, diante da sensacional arrancada rubro-negra na reta final do Campeonato Brasileiro, que culminou com a improvável classificação para a Taça Libertadores da América, o time voltou a ser a equipe mais comentada no futebol brasileiro. Difícil lembrar qual foi o último momento em que isso aconteceu.

Se no segundo semestre Márcio Braga acertou ao não negociar nenhum jogador, trazer bons reforços para a recuperação rubro-negra no Brasileirão, além de conseguir o adiamento de algumas partidas,  agora o presidente e Kleber Leite têm feito o possível para levar o Flamengo a um novo período de conquistas.

A lista de reforços rubro-negra é boa e deve deixar a equipe ainda mais forte. Rodrigo era pretendido por vários times e formará uma excelente dupla com Fábio Luciano. Kleberson é meio-campista experiente e multifuncional. Jônatas é bom volante (principalmente se for comparado com a média do futebol brasileiro).

Marcinho e Gavillan são incógnitas. O volante paraguaio, reprovado nos exames médicos, foi contratado pela “experiência em Libertadores”. Muito pouco para um jogador de qualidade duvidosa em um elenco recheado de jogadores da mesma posição. Já o ex-atleticano é bom jogador, mas precisa deixar as baladas de lado, que atrapalharam o seu rendimento, em 2007, no Galo. Ligado, é um bom camisa 10. Também sabe jogar mais recuado, já que marca bem. Seria uma boa opção para a saída de jogo.

Portanto, o Flamengo terá um meio-de-campo muito forte em 2008. Mesmo que seja correto questionar o excesso de reforços para o meio-de-campo, setor que funcionou muito bem na reta final do Brasileirão. Mas garante favoritismo ao time no Campeonato Carioca e o coloca como um forte desafiante ao São Paulo no Nacional. Mas não parece suficiente para a conquista da América.

Falta para o time rubro-negro, além de reservas de qualidade para as laterais, jogadores ofensivos confiáveis. A aposta em Renato Augusto é correta. O garoto já mostrou lampejos de bom jogador, mas terá um prova de fogo nas fases decisivas da Libertadores. Mas é problemático ter que depender de Obina, Maxi e Souza. Os dois centroavantes têm porte para encarar qualquer zaga, mas falta qualidade técnica. Sim, Souza foi decisivo para a classificação do Flamengo para a competição internacional. Mas não dá para confiar que a boa fase se estenda.

Nesse momento, Ronaldo parece ser apenas um sonho impossível. E Diego Tardelli seria apenas uma aposta arriscada. Mais arriscada que as opções disponíveis para Joel Santana.

Provável Flamengo para iniciar 2008: Bruno; Léo Moura, Fábio Luciano, Rodrigo e Juan; Cristian, Jônatas, Kleberson, Ibson e Renato Augusto; Souza.

Reservas: Diego; Luizinho, Ronaldo Angelim, Rodrigo Arroz e Egidio; Jailton, Gavillan, Toró e Marcinho; Maxi e Obina.

Outros jogadores: Marcelo Lomba e Paulo Victor (goleiros); Thiago Sales e Marlon (zagueiros); Rômulo, Léo Medeiros, Hugo Colace, Vinicius Colombiano, William Amendoim e Erick Flores (meio-campistas); Paulo Sérgio e Kayke (atacantes).

Técnico: Joel Santana

 

Não foi só Kaká

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

É inegável que o talento de Kaká foi fator fundamental para a conquista do Mundial Interclubes pelo Milan no último domingo. O brasileiro teve atuação de gala diante do Boca Juniors e fechou o ano com uma atuação que lembrou as partidas contra Celtic e Manchester United pela Liga dos Campeões.

 

Mas o Milan bateu o Boca com tranqüilidade porque conseguiu colocar em prática o seu estilo de jogo, ditando o ritmo do duelo (expediente utilizado pelos argentinos nas partidas decisivas da Taça Libertadores). Os argentinos ficaram acuados, recuaram e se perderam.

 

O Boca Juniors conseguiu equilibrar a partida (mesmo com menos jogadores talentosos) até o momento em que Ever Banega não conseguiu mais acompanhar Andrea Pirlo. Aí o Milan, que já dominava a partida com Kaká e Clarence Seedorf inspirados, mas recebendo poucas bolas, decidiram a partida nos primeiros minutos da segunda etapa.

 

Não foi gratuito. Mesmo com todos defeitos (goleiro pouco confiável, ataque deficiente, centralização das jogadas pelo meio-de-campo), o Milan venceu porque tem um meio-de-campo muito forte. E se, com um elenco envelhecido não tem fôlego para competições longas, como o Campeonato Italiano, é muito forte e quase imbatível em torneios mata-mata e de tiro curto.  

 

O Boca também decepcionou. Mesmo com um meio-de-campo defensivo pouco fez para incomodar os principais jogadores do Milan. Sim, é difícil marcar Kaká pelo seu estilo de jogo e inteligência para fugir da marcação. Mas o BJ não poderia ter dado tanto espaço para os milanistas trocarem passes. E nem ter deixado Rodrigo Palácio tão solitário no setor ofensivo.

 

Até Inzaghi (um Palermo piorado) se consagrou. Como na final da Liga dos Campeões. Quem vai ter coragem de falar que ele é ruim?

 

Pitacos sobre ‘Jogo de Cena’

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Eduardo Coutinho avacalhou as minhas listinhas de final de ano. Já estava programado: Santiago, do João Moreira Salles, como melhor documentário de 2007. Agora, serei obrigado a alterá-la.

“Jogo de Cena” tem o intuito de discutir a fronteira que separa realidade e ficção. Mas o que poderia ser uma encenação repetitiva torna-se uma emocionante experimentação. Além de deixar o público com vários questionamentos.

Os relatos femininos sobre afetividade familiar (quase todos) são contados, duas vezes, em um cenários de cadeiras de um teatro vazio. Significativo, apesar de ser um clichê ultrapassado.

Ao mesclar atrizes famosas com desconhecidas, Coutinho confunde o espectador que se questiona sobre qual dos depoimentos é o ‘real’. E até que ponto é possível garantir que as mulheres que contam seus relatos não estejam inventando? É essa dúvida que é o caminho entre ficção e realidade.

Coutinho também entra em cena. Ele repete as perguntas para as atrizes com a mesma curiosidade que entrevistou as personagens da história.

E Marília Pêra não se atém a interpretar e explica com os atores ‘fazem’ para chorar. Seria a ‘representatividade ficcional da ficção’?

Além disso, Coutinho apresenta outra questão. Ele levanta como funciona o processo de narração e quais são seus elementos típicos, as técnicas adotadas. Seja através de uma atriz consagrada ou de uma popular.

A cena final do filme, que lembra a interpretação de “My Way” em “Edifício Master”, emociona. Mas creio que a preocupação principal de Coutinho é colocar mais um questionamento na cabeça da platéia. Ou qual seria o motivo do retorno da ‘personagem’ a tela?

Mas o que poucos tem falado é que em ‘Jogo de Cena”, Coutinho também se desconstrói ao mostrar, como não tinha feito em nenhum filme anterior, o seu processo de montagem e o processo de singularidade que ele sempre busca construir em seus documentários. É, também por isso, uma obra-prima. Pra ser vista mais de uma vez.

 

Galo faz aposta errada para 2008

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Diretoria não precisa ouvir torcida para agir. Torcedor é passional. A direção de uma equipe nunca pode agir assim. Precisa seguir um planejamento. Ou corre o risco de quebrar o clube.

Mas diretoria também não tem o direito de ignorar seus torcedores. E nem afrontá-los. Afinal, a torcida é um dos motivos que fazem um clube ser grande.

A inexperiente diretoria do Atlético parece ainda não ter aprendido isso. O presidente Ziza Valadares acaba de dar um tiro no pé ao anunciar a contratação de Geninho.

A torcida, que já estava revoltada com a saída de Emerson Leão ficou enfurecida com o anúncio do nome de seu substituto.

Como qualquer torcida apaixonada, a Massa se apega a qualquer fato minimamente relevante para acreditar em grandes conquistas. A sequência de dez partidas de invencibilidade no Brasileirão somadas a atuação de gala na despedida da competição e expectativa pelo centenário do Galo deixaram a torcida empolgada.

Ziza Valadares acaba de jogar essa confiança da torcida (capital fundamental de um time de massa) no lixo. Para piorar: os atleticanos já haviam avisado recentemente que não aceitariam a contratação de Geninho. O treinador percebeu a rejeição, inventou uma desculpa e não assumiu o time.

Dessa vez, no entanto, decidiu aceitar a proposta.

A atitude anti-ética de Geninho no início de 2003 não foi inédita. Dezenas de treinadores recebem propostas de outros clubes e abandonam o trabalho iniciado. Diante da alta rotatividade do mercado de técnicos, não chega a ser uma surpresa.

Mas foi imoral. Afinal, o Galo tinha passado por um de seus maiores vexames no Mineirão – um inacreditável 6 a 2 aplicado pelo Corinthians diante de 80 mil atônitos atleticanos. Mesmo assim, a diretoria decidiu mantê-lo. E Geninho abandonou o barco dias antes do início do Campeonato Mineiro para assumir o Corinthians. As declarações exageradas do fanfarrão Alexandre Kalil, então vice-presidente de futebol do clube, potencializaram a revolta da torcida.

Em 2006, o treinador deixou o Goiás para assumir novamente o Corinthians. Quantas vezes mais esse procedimento irá se repetir? Só o tempo dirá. Mas a maioria da torcida do Atlético tem certeza de que o senhor Eugênio Machado Souto deixará o clube assim que receber a primeira sondagem. E, por isso, não irá sossegar enquanto o treinador for demitido.

Para diminuir a fúria da torcida, Geninho terá que ter um desempenho espetacular. Com o atual elenco e a dificuldade da direção alvinegra de contratar bons reforços, esse desempenho parece um sonho distante. Essa não é a melhor forma de começar 2008.

 

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Não existem regras. Espero que dure algum tempo.