Luxemburgo precisa melhorar

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

“Eu não nasci para perder. Vou identificar no grupo quem tem o meu perfil e age como eu. Acredito em mim e vou fazer o Palmeiras campeão. Se eu descobrir que tem gente que pensa diferente, vou ter que fazer reposição”.


Cinco jogos, duas vitórias, um empate e uma derrota. O início da temporada palmeirense não chega a ser assustador, mas deve estar deixando alguns torcedores preocupados. Mas com a declaração de Vanderlei Luxemburgo (acima), o treinador parece querer por tudo a perder.

A seqüência de fracassos do Palmeiras na temporada 2007 não tiveram apenas Caio Júnior como culpado. O treinador errou no primeiro jogo diante do Ipatinga na Copa do Brasil, ao deixar Edmundo e Valdivia em São Paulo, e na última partida do Brasileirão, ao deixar Caio no banco de reservas.

No entanto, a falta de jogadores mais tarimbados para decidir partidas decisivas e a pressão para pôr fim à seqüência de temporadas sem títulos. Ou seja, faltou principalmente mentalidade vencedora ao time palestrino. Foi por isso que a torcida perdeu a paciência com Caio Júnior, mesmo com a maioria dos palmeirenses reconhecendo que o treinador não fez um trabalho ruim. E também foi por isso que a diretoria decidiu contratar Vanderlei Luxemburgo, técnico mais vitorioso do futebol brasileiro.

A troca de treinadores deixou o bom-mocismo de Caio Júnior no passado pelos palavrões e cobranças nos jogos e treinamentos. Alguns jogadores, inclusive, comentaram em entrevistas sobre esta mudança de estilo.

Esculhambar o elenco após o segundo revés da temporada (empatar com o Mirassol não pode ser considerado bom resultado), no entanto, não é o procedimento correto. A derrota desta quarta-feira acende um sinal amarelo por ter acontecido na seqüência de um empate como mandante.

É a hora de parar de responsabilizar a arbitragem, que deixou de marcar três pênaltis ontem (um para o Ituano). Tal vício é antigo e não sem razão, afinal o Palmeiras foi, provavelmente, o time mais prejudicado por arbitragens no último Campeonato Brasileiro.

Mas o momento é de perceber também que Luxemburgo não deveria estar apenas avaliando. Mas também de ser avaliado. Será que vale a pena um salário tão alto? O treinador que chegou ao clube afirmando estar sedento por vitórias e querendo repetir o sucesso das temporadas 1993, 1994 e 1996, parece continuar longe dos seus melhores momentos.

O treinador teve carta branca por dois anos no Santos para contratar e dispensar quem quisesse. Gastou e ganhou muito dinheiro. E conquistou somente dois Estaduais. Que quase escaparam de suas mãos. Em 2006, perdeu jogo decisivo para o São Paulo. No ano passado, o gol do título saiu em um lance de sorte e no último minuto da partida.

Será apenas coincidência que todos gols sofridos pelo Palmeiras neste ano foram em cruzamentos? Não adianta apenas ‘não ter nascido para perder’. É preciso ensinar os seus comandados a aprender a evitar novos tropeços.

Em 2007, após a decisão do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro decidiu afastar jogadores caros e experientes, como Giovanni, e apostar em atleta jovens e baratos. Apareceram na Toca da Raposa II nomes como Marcelo Moreno, Fernandinho e Ramires. A má campanha nas rodadas iniciais do Brasileirão apontavam para um novo fiasco, mas a Raposa se recuperou e conseguiu se classificar para a Taça Libertadores.

 

O torcedor celeste, no entanto, ficou um gosto amargo ao final da competição nacional. E não foi só por ter que torcer para o rival Atlético na última rodada. O cruzeirense chegou a sonhar com o título após atuações irretocáveis. No entanto, inexperiente, a Raposa derrapou nos últimos jogos do Nacional.

 

O posicionamento da diretoria do Cruzeiro ao sair em defesa de Guilherme no conflito com Roni deu indicativos de que o clube continuaria apostando nas promessas em detrimento aos medalhões. As contratações realizadas para a temporada 2008 confirmaram a manutenção desta aposta.

 

Demitir Dorival Junior parece ter tido o objetivo de responsabilizá-lo pela oscilação cruzeirense. A contratação de Adílson Batista para o comando celeste pareceu, em um primeiro momento, uma escolha correta, já que o treinador fez bom trabalho nas temporadas 2005 e 2006 no Figueirense e era um dos poucos bons nomes disponíveis no mercado.

 

A torcida do Cruzeiro, no entanto, não gostou. Queria um treinador mais tarimbado para a disputa da Taça Libertadores. E ficou ainda mais insatisfeita com os reforços contratados. Afinal, o clube não anunciou nenhum reforço de impacto. A grande maioria das caras novas celestes trabalharam com Adílson Batista, o que lhe vale a primeira crítica e o primeiro questionamento, já que a inexperiência do treinador ficou latente neste início de trabalho.

 

Apodi, principal destaque do Vitória na Série B de 2007, é a única aposta confiável da diretoria cruzeirense. O lateral-direito baiano demonstrou ter muita qualidade na temporada passada e chega para uma posição carente no elenco da Raposa. Jonathan, Mariano e Ângelo jamais passaram confiança para os torcedores celestes.

 

Os outros reforços terão que primeiro conquistar espaço na equipe titular. O goleiro Andrey não tem vaga garantida nem no banco de reservas. Eltinho chega para a lateral-esquerda, que já é bem ocupada por Fernandinho. E o Cruzeiro ainda contratou quase um time de volantes: Elicarlos, Marquinhos Paraná, Fabrício e Henrique. Será que Ramires e Charles, que fizeram um bom Brasileirão, não são confiáveis?

 

Se o elenco parece ser suficiente para disputar o título do Campeonato Mineiro não empolga para a Taça Libertadores. Faltam jogadores experientes. Faltam peças que possam decidir um mata-mata. Faltam bons zagueiros e atacantes. Confiar em Fábio e Wagner em uma decisão? É melhor torcer para Guilherme estourar e se tornar um craque indiscutível. Ou torcer para que alguns dos argentinos especulados – Tuzzio, Castroman, Falcao Garcia – sejam contratados. Mas se tratando dos irmãos Perrella é sonhar um pouco demais.

Provável time titular: Fábio; Apodi, Leo Fortunato, Thiago Martinelli e Fernandinho; Ramires, Charles, Fabrício e Wagner; Guilherme e  Marcelo Moreno.

Time reserva: Andrey; Jonathan, Emerson, Thiago Heleno e Eltinho; Henrique, Marquinhos Paraná, Leandro Domingues e Kerlon; Roni e Nenê.

Outros jogadores: Lauro, Flavio Henrique e Bruno (goleiros); Mariano, Ângelo e João Victor (laterais); Simões , Wellington, Maicon e Eliezio (zagueiros); Leo Silva, Daniel, Jardel, Paulinho Dias, Luis Alberto, Lucio, Fernando e Aldo (volantes); Marcinho, Maicosuel e Sandro (armadores).