A primeira convocação de Dunga em 2009
Sábado, Janeiro 31, 2009
Virou mania ridicularizar Dunga, mesmo quando não há muitas razões. Mais uma vez, no entanto, o ex-volante, que se tornou treinador porque Ricardo Teixeira precisava amenizar os protestos da opinião pública pela, suposta, falta de raça da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006, deu mais alguns motivos para ser criticado na segunda-feira. Afinal, a lista de convocados para o amistoso contra a Itália, em 10 de fevereiro, no Emirates Stadium (o Maracanã da CBF), tem suas obscenidades.
Elas começam pela estranha decisão de não chamar nenhum jogador que atua no futebol brasileiro. “Os atletas brasileiros acabaram de voltar de férias e a musculatura não está pronta para algumas coisas”. Tá bom, Dunga… E então você não chamará ninguém que atua fora do País quando começará a temporada 2009/2010 na Europa? A seleção ficou portanto privada de Miranda, Hernanes, Alex e Ramires, quatro nomes que deveriam ser obrigatórios.
A presença de Felipe Melo já havia sido adiantada em entrevista para a edição de 24 de dezembro de 2008 da Gazzetta dello Sport (entrevista gigante, aliás, que praticamente salvou o meu trabalho numa véspera de Natal evidentemente quase sem nenhuma novidade esportiva). “Analisei o Felipe Melo e me convenci. Acho que ele pode ser chamado para a seleção”, disse.
Nem por isso é preciso concordar. Promessa do Flamengo, reserva no Cruzeiro campeão brasileiro, rebaixado com o Grêmio, boas passagens por times pequenos da Espanha e titular absoluto da Fiorentina – que pagou 11 milhões de euros ao Almería. Bom marcador, mas daqueles que adora dar umas botinadas, e que vai com certa qualidade ao ataque. Mas é muito pouco para chegar à seleção brasileira. Falta currículo e qualidade. Dunga, no entanto, resolveu fazer uma ‘média’ com os italianos. Tanto que chamou outros dez jogadores que jogam na Bota.
Mas não existe maior erro do que chamar Josué. Jogador mediano em quase toda sua carreira, que teve uma boa passagem pelo São Paulo e que até hoje é chamado por suas atuações no Morumbi. Porque no Wolfsburg… Erra passes demais, é baixinho e, portanto, não tem condições de ajudar no jogo aéreo. Simplesmente inaceitável.
E a cabeça de área ainda tem outra convocação difícil de explicar. Anderson, do Manchester United, está machucado. E, se estiver recuperado para enfrentar a Itália, não terá ritmo de jogo. Será que Dunga não acompanha nem os jogos do atual campeão mundial?
Dunga voltou a chamar Ronaldinho Gaúcho. Parece piada, mas o meia-atacante só é chamado quando está em má fase. Foi completamente esquecido em seu início no Milan, quando decidiu várias partidas. Agora, no entanto, perdeu espaço, parece sem vontade e até foi relegado ao banco de reservas. Vai entender a lógica do Dunga…
“É mais fácil segurar um jogador do que ensiná-lo a jogar”, disse o treinador para justificar a convocação de Adriano, pouco depois de ser suspenso por agredir um adversário. Sorte de Adriano. E de Robinho, que fugiu da concentração do Manchester City para passar uns dias no Brasil. Esse definitivamente não é o Dunga que virou técnico para disciplinar a seleção.
E, finalmente, Amauri. “Trazê-lo para um jogo contra a Itália lhe pressionaria demais”. Está certo, Dunga. Nessa você acertou. Acertou? Neste sábado, ele chamou o centroavante da Juventus para substituir Luís Fabiano, contundido. Parece que o treinado esqueceu o que disse na entrevista coletiva de segunda-feira.
CORINTHIANS 2 x 2 BARUERI
Domingo, Janeiro 25, 2009
Ah, o apito amigo…
Tudo indicava que o Corinthians ia começar o Campeonato Paulista com uma surpreendente derrota depois se vangloriar por ter começado a pré-temporada antes dos principais rivais, manter a base que venceu a Série B e contratar bons reforços.
Mas a quinta-feira no Pacaembu foi do Barueri. O time de três treinadores conseguiu conter André Santos e Douglas (o craque da Série B terá muito a provar em 2009 para ser apontado como um dos melhores 10 do Brasil, ao contrário do que alguns apressadinhos andaram fazendo).
O Corinthians dependia de Alessandro e Cristian. E, claro, nada dava certo. O lateral tentava, tentava e errava. O volante errava passes e atrapalhava a saída de jogo da equipe. Além disso, teve dificuldades para marcar os meias adversários, principalmene enquanto Túlio esteve em campo em nova atuação ruim. Assim, o Barueri abriu 2 a 0 aproveitando-se de atuação tenebrosa de Chicão.
Mas o jogo ainda não tinha acabado. 35 minutos do segundo tempo e Milton Ballerini simplesmente inventa um pênalti para o Corinthians. 2 a 1, pressão da torcida, oportunismo de Jorge Henrique e a partida terminou empatada. Já passaram três dias e a Federação Paulista de Futebol não se pronunciou sobre a arbitragem e nem afastou Ballerini…
Palmeiras atende ao pedido de Marcos
Sábado, Janeiro 24, 2009
No início do ano, Marcos disse que o Palmeiras precisava contratar jogadores experientes, que fossem lideranças dentro de campo. A diretoria demorou muito, mas ao anunciar o acerto com Edmílson mostrou que, se não ouviu o conselho do ídolo, ao menos tem a mesma opinião do goleiro sobre o elenco palmeirense.
Ao contratar Edmílson, o Palmeiras parece buscar um substituto para o Martinez de 2008, que começou o ano como volante e terminou como um dos três zagueiros. Mas as diferenças são muitas e sempre favoráveis ao ex-Villarreal.
Edmílson começou a carreira na zaga e depois passou a atuar também como cabeça de área. Deu certo nas duas funções. Já Martinez nunca conseguiu se sair bem como zagueiro quando tinha apenas um companheiro ao seu lado. Edmílson colecionou títulos em sua carreira. É a tal experiência que Marcos pediu. Ele deve ser escalado na zaga ao lado de Maurício Ramos e Danilo. Só isso já deve satisfazer os palmeirenses, sedentos pela saída do inseguro Jéci. Além disso, é uma esperança de diminuir o número de gols sofridos em jogadas aéreas.
Mas se busca um substituto para Martinez, o Palmeiras corre o risco de reencontrar o Roque Júnior que não teve seu contrato renovado para 2009. Edmílson sofreu com várias contusões em sua carreira, que se não chegaram a macular, atrapalharam sua passagem por Lyon e Barcelona, e até o deixaram fora da Copa do Mundo de 2006. Aos 32 anos, não vinha atuando pelo Villarreal. Porém, ao contrário de Roque Júnior, não vinha passeando por clubes inexpressivos até acertar com o Palmeiras. Por isso, a aposta é muito boa. E deve dar certo.
SANTO ANDRÉ 0 x 1 PALMEIRAS
Sábado, Janeiro 24, 2009
Melhor do que o esperado
O Palmeiras surpreendeu. Depois de perder dois jogos-treino para times da Série A-2 do Campeonato Paulista (dizem até que já corria risco de ter que disputar a Terceira Divisão do estadual em 2010), conseguiu vencer quando de fato era importante. E se o Santo André não chega a ser um sparring qualificado, também demonstrou que não é nenhum saco de pancadas e que permanecerá, com certa tranquilidade, na elite do futebol paulista.
E a vitória veio mesmo com o esquema sem atacantes (ok, tem o Lenny…), que não deu certo durante a pré-temporada. Mas para isso sofreu. O Santo André dominou quase todo primeiro tempo e o Palmeiras não conseguia encaixar a marcação, principalmente porque o sistema defensivo estava desorganizado com os estreantes Maurício Ramos (teve dificuldades nas bolas alçadas, mas não foi driblado em toda partida) e Danilo. E até Pierre andou abusando das faltas.
A equipe só não sofreu o primeiro gol da temporada graças ao lateral-direito Fabinho Capixaba. E o gol palmeirense surgiu com grande colaboração do limitado lateral (jogador que mais participou da partida, mas errou praticamente na mesma proporção). Além de Capixaba (que dessa vez conseguiu se sair melhor do que Jefferson), ajudaram Lenny – ponto para Luxa, que preferiu escalar o atacante ao ex-Vitória Williams, que, afinal é meia e não tem o menor cacoete de atacante – e, claro, Cleiton Xavier.
O meia, contratado do Figueirense, foi o principal jogador e surpresa palmeirense em Ribeirão Preto. Fez um belo gol e, ao que parece, não sentiu a pressão de vestir a camisa 10 (enquanto isso Diego Souza segue sonolento e, na quarta-feira, só quis saber de finalizar quando acordava). Deu bons passes, que poderiam ter resultado em outros gols se não fosse a dificuldade dos palmeirenses para finalizar, e mostrou habilidade. É cedo, mas é um sopro de criatividade no Palmeiras.
A sorte também esteve ao lado da equipe, já que o Santo André colocou duas bolas na trave. Mas se o time de Luxemburgo conseguir melhorar a marcação, pode dar certo em 2009 apostando na velocidade (e ainda tem Keirrison, Armero e Edmilson). O Palmeiras passou no primeiro teste.
O Paulistão começou
Quarta-feira, Janeiro 21, 2009
O Campeonato Paulista começou nesta quarta-feira. Inchado, como sempre. Poderia ser um tremendo torneio se fosse disputado por 12 times. Mesmo assim tem seu valor.
Palmeiras e São Paulo estrearam nesta quarta-feira. É hora, portanto, de escrever um pouco sobre os dois times.
PALMEIRAS
O sonho de terminar 2008 com o título do Campeonato Brasileiro acabou da pior forma possível, já que os palmeirenses viram o rival São Paulo conquistar o tricampeonato. Depois, o torcedor teve que aguentar a festa corintiana por Ronaldo e a chegada de Washington ao time do Morumbi. E ainda sofreu com a saída do ídolo Kléber, que quase foi parar no rival Corinthians.
O cenário é ruim, mas não acho que o Palmeiras se enfraqueceu para 2009. E Luxemburgo não está errado ao dizer que o time mudou suas características. O time deste ano aposta na velocidade e na juventude. Os principais reforços que chegam ao clube – Keirrison, Marquinhos, Cleiton Xavier – mostram isso. Realizar essas escolhas em ano de Libertadores pode não ser o mais correto, mas o time não é fraco.
O time, claro, tem deficiências. O Palmeiras segue com problemas nas laterais. Armero é incógnita. Mas e na lateral-direita? Ali o Palmeiras não tem ninguém. O ataque é a principal preocupação. Keirrison é muito, muito bom. Mas precisa de um parceiro. E esse companheiro não existe no elenco. Para suprir isso, Luxemburgo pode apostar em três meias: Diego Souza, Cleiton Xavier e Marquinhos. Se cada um encontrar seu espaço, pode dar certo.
A marcação e a saída segura de jogo de Pierre serão fundamentais se Luxemburgo encher o time de meias criativos, mas pouco afeitos a marcação. A experiência e a qualidade de Marcos e Edmilson também podem ajudar nos momentos em que um líder em campo se faz necessário para não deixar a partida degringolar.
Portanto, acho que a cornetagem (tão comum, tão irritante dos palestrinos) foi exagerada. Os reforços demoraram para chegar, o time dificilmente vai ser campeão da Libertadores e nem é o melhor de São Paulo. Mas é bom. Dá pra ter alguma esperança.
SÃO PAULO
O São Paulo se reforçou para 2009 com excelentes apostas, como Arouca, Júnior César e Washington, e nomes arriscados, casos de Wagner Diniz, Renato Silva e Eduardo Costa. Mas o que mantém o São Paulo forte e com time capaz de lutar por todos os títulos que disputar é a manutenção da base que atropelou no segundo turno do Campeonato Brasileiro.
Afinal, o São Paulo segue com a qualidade de Jorge Wagner nas bolas paradas, a segurança de Miranda, a liderança de Rogério Ceni e a eficiência de Hernanes.
Se este foram os pilares da conquista do título nacional, o São Paulo teve outros quatro coadjuvantes: Hugo, Borges, Dagoberto e André Dias. É difícil acreditar que eles apresentarão a mesma qualidade em 2009, mas se isso acontecer será muito difícil vencer o São Paulo.
Até porque o time de Muricy terá Washington, o centroavante responsável por uma das grandes vitórias do futebol brasileiro (e a principal frustração do São Paulo) e um dos maiores artilheiros do Brasil em atividade.
Se não dá pra esquecer o gol do centroavante no Maracanã, também é de se lembrar que o futebol pouco vistoso do São Paulo não tem conseguido bons resultados em duelos eliminatórios. E vai ser assim, novamente, que o Paulistão será decidido.
Retorno
Quarta-feira, Janeiro 21, 2009
Esse blog estava moribundo. Mas agora está de volta.
Hoje tem!