Sábado histórico para os palmeirenses
Sexta-Feira, Setembro 4, 2009
Sábado será um dia especial para o torcedor palmeirense. Muito mais do que um duelo para consolidar a liderança do Campeonato Brasileiro, a partida contra o Barueri marcará o reencontro de um ídolo recente com o torcedor e o bom trabalho de uma diretoria comprometida em lutar pelo título da competição. Se Muricy Ramalho não exagerar na cautela, o Vagner Love, que vestiu a camisa 9 novamente na segunda-feira e disse que estava “arrepiado”, vai disputar seu primeiro jogo oficial no Palestra Itália após cinco anos.
A fila na tarde de quinta-feira no estádio mostrou que a euforia também é dos torcedores. Já são 12 mil ingressos vendidos e a perspectiva de casa cheia. Tudo porque a camisa 9 do Palmeiras volta a ter um dono. O time paulista é um dos que mais sofreu com a falta de um centroavante de qualidade nos últimos anos. Teve que engolir Gioino, Washington, Kahê e outros jogadores que despontaram para o ostracismo ao fracassem na profissão de centroavante de um dos grandes clubes do futebol brasileiro.
E a reestreia de Love acontece pouco mais de seis meses da ilusão de que a camia 9 voltava a ter um dono. Porém, o encantamento por Keirrison durou pouco. O atacante não economizou nos gols nos primeiros jogos, mas caiu no conceito do torcedor ao sumir em partidas decisivas da Libertadores e em clássicos no Paulistão. A saída conturbada e as declarações após a oficialização da transferência tornaram o K9 odiado.
Para resgatar o místico número, a aposta foi em um personagem fundamental de um passado que parecia ser de reconstrução palmeirense. Vagner Love não é atacante brilhante e também cometeu o seus deslizes, como na sua negociação frustrada para defender o rival Corinthians. Mas a boa média de gols, o bom desempenho na Série B de 2003 e no início do Brasileirão de 2004 superam qualquer desconfiança. Além do sonho realizado de ver o artilheiro voltar à sua casa.
O retorno de um ídolo, ainda que com prazo para acabar, já transforma o sábado em um dia histórico para o palmeirense, independentemente de placar e mesmo acreditando que Love ainda enfrentará dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro. Ainda longe de ver o melhor ataque do Brasil, o torcedor terá ao menos a dupla (Love e Obina) mais folclórica do futebol em campo no Palestra Itália.
Provocações não podem ser preocupação do Brasil
Sexta-Feira, Setembro 4, 2009
Gilberto Silva (“Esse negócio de provocar ficou até chato com o passar do tempo”) e Juan (“Podem falar o que quiserem”) deram o tom oficial. Ao menos com jornalistas e microfones por perto, o Brasil não vai entrar em polêmica e rebater provocações de Maradona e jogadores da Argentina, como Tevez (“vamos comer o Brasil”).
O politicamente correto faz a postura da seleção brasileira ser exaltada para não inflamar fatores extracampo para o clássico de sábado. O plano parece ser evitar tentativas de intimidação e evitar o surgimento de um clima hostil. Tudo certo, desde que o comportamento não se torne apatia.
Em situação complicada nas Eliminatórias, a seleção argentina está mobilizada para o jogo com o Brasil. Tanto que Messi deixou o Barcelona de lado, se apresentou com antecedência, mostrando que desde o fim da temporada 2008/2009 sua única preocupação é o clássico de sábado.
Messi não é exceção. E além do campo pequeno, da torcida vibrante próximo ao campo, o adversário do Brasil será um time extremamente concentrado, sedento por vitória. O time de Dunga, claro, não precisa encarar a partida de sábado como a última da vida, já que está praticamente classificado para a Copa da África do Sul. Mas não pode faltar mobilização.
Não custa lembrar que nas Eliminatórias para a Copa da Alemanha, o Brasil voltou do ‘seguro’ Monumental de Nuñez com um chocolate. E isso sem provocações e caldeirão. Portanto, será necessário concentração, jogadas bem tramadas (obrigação de uma equipe com poucas mudanças em relação ao título da Copa das Confederações). O entrosamento não pode ficar só nas respostas politicamente corretas.
Palmeiras em vantagem com empate oxo
Terça-feira, Setembro 1, 2009
Domingo ensolarado (e isso é bem raro) em São Paulo, líder e terceiro colocado do Campeonato Brasileiro em campo, mais de 35 mil ingressos vendidos antecipadamente, reencontro de Muricy com o São Paulo e ex-jogadores e jogo decisivo. Não faltavam atrações para transformar o Choque-Rei de domingo em um jogo imperdível, até para torcedores de outros clubes. Mas o clássico decepcionou.
Não era, porém, para tanto. São Paulo e Palmeiras fazem boa campanha e são dois dos favoritos ao título brasileiro por conta, principalmente, do bom trabalho defensivo. Do meio para frente, o talento costuma resolver. Mas nem sempre contra sistemas defensivos como os que enfrentaram no domingo. E em um jogo tenso e com os jogadores sob pressão psicológica.
O Palmeiras travou o São Paulo no início do clássico com uma estratégia manjada, porém eficiente. Como faz mesmo fora do Palestra Itália, adianta a marcação, joga para frente, dificulta a saída de jogo dos zagueiros e volantes adversários. E ainda tinha Edmílson com uma saída de bola qualificada. Foram em erros de Rogério Ceni e André Dias que criou suas duas principais chances de gol no primeiro tempo. Mas Pablo Armero e Diego Souza não foram eficientes para colocar o Palmeiras em vantagem.
A estratégia palmeirense, que foi mantida mesmo após a saída de Maurício Ramos por lesão, foi alterada no intervalo. Tudo por conta de um jogador do São Paulo. Mesmo em um dia ruim do seu meio-de-campo, a equipe criou as principais oportunidades de gol após os 20 minutos. Se perdia o duelo tático, tinha o talento de Dagoberto, em boa fase e ligado no jogo. Foram dos pés do atacante que saíram as principais chances da equipe. Mas Marcos tratou de mostrar que o seu momento é esplendoroso e parou os principais ataques são-paulinos.
Os quatro pontos de vantagem e os sustos provocados por Dagoberto fizeram Muricy mudar o Palmeiras, descartar qualquer possibilidade ousadia, congestionar o meio-de-campo com a entrada de Souza e apostar que um dos dois talentosos meias iria decidir o jogo. Defensivamente, deu certo. Danilo, que já vinha bem no primeiro tempo, manteve o ritmo e evitou avanços perigosos na área palmeirense. Dagoberto, cansado e sem um bom parceiro, sumiu em campo. Mas Cleiton Xavier (e depois Deyvid Sacconi) também. E Diego Souza não estava inspirado. Restaram os avanços do incansável Armero. No melhor deles, o colombiano parou em um atento Rogério Ceni.
Faltou também o centroavante que Obina mostrou, mais uma vez, que não pode ser. Miranda, em mais uma tarde sem erros, teve pouco trabalho para barrar os atacantes palmeirenses. A esperança palestrina estava no estádio. Vágner Love, que na última vez em que enfrentou o São Paulo marcou dois gols, porém, só assistiu ao jogo em uma das cabines do Morumbi.
Sem Dagoberto, restou ao São Paulo arriscar em finalizações de fora da área e em jogadas aéreas, quase sempre com Jorge Wagner, liberado de ações defensivas por conta da boa atuação de Junior César. Faltou ao time, porém, vontade para diminuir a vantagem do rival no Brasileirão. E a tal gana, tão esperada durante a semana, para vencer Muricy Ramalho.
Apesar do desempenho apenas regular, o Palmeiras parece sair do clássico com mais chances de ser campeão brasileiro por ter um sistema tático mais organizado e mais jogadores que podem decidir. Por isso, apostaria em uma disputa equilibrada com o Internacional. Ao São Paulo, fica a certeza de que quando joga com a bola no chão e acerta as finalizações é muito forte.
Como curiosidade: o São Paulo segue em vantagem na história do Choque-Rei (101 x 96, com 96 empates) e no século (14 x 7, com 10 empates) .
Voltou
Terça-feira, Setembro 1, 2009
Nos estádios só se canta isso. “O Imperador voltou”, “O Kalil voltou”, “O Ronaldo voltou”, “Nosso freguês voltou”, “O campeão voltou” (essa até para times que perdem final em casa…).
Portanto, o Alambrado também voltou.