Empate insosso, mas sem drama

Sexta-Feira, Outubro 16, 2009

As duas bolas na trave, uma com Gilberto Silva e outra com Kaká, no empate por 0 a 0 com a Venezuela podem ter servido como um aviso do destino ao técnico Dunga, que passou as últimas semanas destilando ironia e soberba em entrevistas coletivas, e aos dirigentes da CBF, que priorizaram a política e preferiam levar o último jogo do Brasil nas Eliminatórias para Campo Grande, uma cidade sem times nas Séries A e B em um estádio aquém das necessidades.

O empate mostrou que, apesar da classificação com três rodadas de antecedência para a Copa do Mundo de 2010, alguns problemas podem atrapalhar o Brasil na África do Sul. E é bom Dunga ficar atento para corrigi-los ou, ao menos minimizá-los.

Foi o quinto 0 a 0 em nove partidas disputadas em casa nas Eliminatórias. Definitivamente, a seleção brasileira não consegue superar retrancas. É preciso que se crie alternativas para superá-las. Ninguém dará espaço ao time na África do Sul.

Luís Fabiano é artilheiro e decisivo. Mas é de Kaká que o Brasil depende para ter chances de gol. E é o meia do Real Madrid quem dita o ritmo da seleção em campo. Foi assim em Campo Grande, com o craque criando, comandando a equipe e sendo caçado pelos venezuelanos.

Mas Kaká não pode fazer tudo sozinho. Faltaram (ou faltam?) parceiros no meio-de-campo. Gilberto Silva fez, e bem, o seu papel de primeiro volante (depois, foi zagueiro, como em 2000, em seu primeiro ano no Atlético). Mas Lucas, tímido, e Ramires, afobado demais, pouco contribuíram.

O apoio necessário que Kaká precisava não surgiu das laterais, ao menos dessa vez. Maicon errava passes e cruzamentos, enquanto Filipe Luís preferiu ser burocrático e, pior, chegou a tropeçar na bola. Não mostrou nada que justificasse as suas últimas convocações.

O momento, porém, não é para drama. O mantra repetido por Dunga de que jogador para atuar na seleção brasileira precisa ter “comprometimento” parece ter colado. Se a vitória não veio, não faltou disposição. E a falta de criatividade e de parceria para Kaká devem ser corrigidos com o retorno de Daniel Alves ao time.

Ficará faltando organizar a lateral esquerda e arrumar um companheiro para Luís Fabiano. A tendência, porém, é de sofrimento com André Santos e Robinho em 2010. A preparação antes da Copa terá que focar em jogadas de velocidade e transição para o ataque, que precisam ser bem feitas para superar retrancas. Mesmo que isso não seja feito, as chances do hexacampeonato são boas. Afinal, o talento pode decidir torneios de tiro curto.