Os destaques do Brasileirão
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Aproveitando a divulgação dos candidates ao Prêmio Craque do Brasileirão, apresento os meus destaques individuais do torneio:
GOLEIRO: VICTOR (Grêmio) – Melhor goleiro em atividade no Brasil, foi um dos poucos destaques da decepcionante campanha do Grêmio, que tinha elenco para brigar por uma vaga na Libertadores, mas nunca chegou a efetivar esse sonho. Só precisa ter mais sorte nos clássicos contra o Internacional.
LATERAL-DIREITO: Não voto em ninguém. A posição enfrenta problemas no futebol brasileiros (e a indicação de Vítor ao prêmio é uma clara mostra disso). Os destaques foram Léo Moura, que, porém, oscilou muito, mesmo tendo melhorado seu desempenho defensivo. Apodi e Jonathan se saíram bem ofensivamente, participaram de vários gols de seus times. Mas deixaram espaços na defesa.
ZAGUEIROS: ANDRÉ DIAS e MIRANDA (São Paulo) – Não é à toa que a força defensiva é a principal qualidade do São Paulo pelo quarto Brasileirão consecutivo. É muito difícil passar pelos dois. São eles que dão sustentação a qualquer outro zagueiro escalado por Ricardo Gomes (Renato Silva, quase sempre, ou Rodrigo).
Agora, não dá para entender a indicação de Ronaldo Angelim ao prêmio. O flamenguista só atua bem quando tem um zagueiro de qualidade por perto. Foi assim com Fábio Luciano e, agora, com Álvaro. Sozinho, sempre se complicou.
LATERAL-ESQUERDO: Também vou me abster nessa posição por considerar que ninguém apresentou um futebol convincente. Júlio César, que foi mal no segundo turno, Márcio Careca, que teve problemas na contenção, e Kleber, que sumiu em algumas partidas decisivas, foram os que chegaram mais perto.
Mas nada pior do que indicar Pablo Armero ao prêmio. Afinal, não foram poucos os adversários que exploraram a deficiência defensiva do lateral-esquerdo colombiano em partidas contra o Palmeiras.
VOLANTES: Vou só de GUIÑAZU (Internacional). O argentino é um monstro. Não é exatamente um ás em posicionamento, mas compensa alguns defeitos com uma garra inacreditável. Ao ver o Inter em campo, parece que existe mais de um Guiñazu em campo. Deve ser verdade.
Outros volantes também tiveram bons momentos. Pierre, que desfalcou o Palmeiras em momento decisivo do Brasileirão, Corrêa, que teve partidas brilhantes, mas caiu de rendimento na reta final, Hernanes, que oscilou, mas cresceu durante a ascensão do São Paulo, e os corintianos Elias e Jucilei, que, como o time do Parque São Jorge, pecaram pela falta de vontade em alguns jogos.
MEIAS: Dizem que faltam meias no futebol nacional. Não foi o que vi nesse Brasileirão. Nenhuma posição teve tantos destaques.
PETKOVIC (Flamengo) foi o mais decisivo deles. Palmeiras, São Paulo e Atlético foram três dos candidatos ao título que sofreram com o sérvio.
MARCELINHO PARAÍBA (Coritiba) se salvou em meio ao naufrágio do seu time. Evitou várias derrotas de um Coritiba que chega à última rodada correndo risco de ser rebaixado no ano do centenário.
MARQUINHOS E MURIQUI (Avaí) foram os principais destaques da campanha surpreendente e honrosa do time catarinense. Colocaram o Avaí entre os dez times do Brasileiro. Não é pouco.
CLEITON XAVIER e DIEGO SOUZA (Palmeiras) se completaram e foram os principais jogadores do time paulista. Formaram uma dupla afinada: Cleiton foi o meio-campista trabalhador, que comandava o setor e fazia o trabalho sujo para Diego Souza brilhar. E mesmo com críticas a sua disposição, foi brilhante várias vezes, principalmente contra times mineiros.
LEANDRO DOMINGUES (Vitória) voltou para a antiga casa, reencontrou o bom futebol e renovou a esperança de que pode se encaixar no meio-de-campo de qualquer clube grande do futebol brasileiro.
ATACANTES: O Brasileirão teve quatro grandes atacantes. ADRIANO (Flamengo), o melhor deles, o craque do campeonato, decisivo em partidas complicadas. Centroavante que fez zagueiros tremerem, treinadores mudarem esquemas táticos. Poucas vezes essas estratégias funcionaram e o atacante reencontrou a tal alegria que o tirou da Itália e a vaga na seleção brasileira.
DIEGO TARDELLI (Atlético-MG) foi o responsável pelos melhores momentos do seu time no campeonato. Foi artilheiro sem nunca ter sido antes na sua carreira, teve garra que nunca apresentou antes e mostrou habilidade e condicionamento físico comparáveis aos de qualquer astro do futebol europeu.
FERNANDINHO (Barueri) apresentou futebol que o faria brilhar em qualquer recanto do futebol brasileiro. Se perdeu em meio a uma novela sobre sua transferência (negociou com o Cruzeiro, mas parece que vai para o São Paulo). Afastou o perigo de rebaixamento do caçula do Brasileirão logo no início do torneio em que foi a principal revelação.
RONALDO (Corinthians) sofreu com uma lesão na mão e o excesso de peso. Quando jogou, porém, apresentou futebol de qualidade indiscutível. Estraçalhou o Fluminense na melhor atuação de um jogador neste Brasileirão. Mostrou que, mesmo longe da forma ideal, está muito acima do nível do futebol nacional.
Mala branca e hipocrisia caminham juntas
Sábado, Novembro 28, 2009
A hipocrisia e o falso moralismo estão em alta na sociedade. No futebol não seria diferente. E a reta final do Campeonato Brasileiro não poderia ficar sem uma falsa polêmica. Domingo passado, ainda atônito pelo desempenho pífio do Flamengo no empate por 0 a 0 com o Goiás, Ronaldo Angelim acusou o time adversário de ter tido a sua vontade de estragar a festa rubro-negra insuflada por uma “mala branca” oferecida pelo São Paulo de R$ 300 mil.
Nos dias seguintes, os jogadores do Goiás e o técnico Hélio dos Anjos rebateram o zagueiro flamenguista. Bateram forte no adversário e disseram que tiveram boa atuação no Maracanã por receberem bons salários, serem profissionais e outras coisas do gênero (ao menos, não citaram a “grandiosa” história da instituição Goyáz) que soam meio estranhas para o time dono da pior campanha do segundo turno do Brasileirão.
Nesse caso, todos erraram. Concordo que, teoricamente, jogadores não deveriam precisar de ajuda financeira para ganhar um jogo. Mas a realidade é diferente. E em final de campeonato, com o time em fim de feira, como é o Goiás, e com os salários atrasados, um dinheiro extra pode contribuir para uma boa atuação. E sem ferir preceitos éticos.
Assim, quem se diz contrário ao incentivo financeiro tem a frustração como real justificativa. E, claro, a hipocrisia também (geralmente, os mais revoltados são aqueles que não iam à aula de ética e pediam para um amigo assinar a lista de presença). Pode ser a frustração de não ter conseguido vencer, como no caso de Ronaldo Angelim. Ou a frustração de não participar da divisão da grana.
Alguém duvida que os telefones dos jogadores do Goiás receberam várias ligações do DDD 21 nesta semana?
Incompetência leva Corinthians x Flamengo para Campinas
Sábado, Novembro 28, 2009
É incrível que eu ainda me surpreenda, mas conseguiram afastar mais uma vez o torcedor do seu time, que vai atuar fora do seu palco preferido como mandante. Questão de segurança, disseram. A cidade de São Paulo não suporta que um Palmeiras x Atlético e um Corinthians x Flamengo seja realizado ao mesmo tempo.
Parece piada, mas as autoridades (bem remuneradas ou não?) responsáveis pela segurança dizem não ser possível organizar duas partidas de futebol ao mesmo tempo. Sinal de incompetência, evidentemente. Mas encarada com naturalidade absurda. Ninguém se assusta, se revolta ou procura soluções que não sejam atrapalhar o torcedor.
Corinthians x Flamengo é dos principais clássicos do futebol brasileiro. Dois times gigantes, com torcidas respeitáveis. Jogo para Maracanã ou Morumbi lotado, independentemente da fase da equipes. Jogo para o Pacaembu também, como seria no domingo. Com o Tobogã liberado para os flamenguistas, sedentos pelo título brasileiro. Jogo para Ronaldo se despedir do corintiano, diante de um time em que está motivado para vencer. Mas não será assim.
Corinthians e Flamengo vão se enfrentar em Campinas, no esburacado Brinco de Ouro, que está tão maltratado que nem terá toda a sua capacidade liberada para o clássico de domingo, decisivo para a definição do campeão nacional. Perdem o futebol, o Brasileirão, o Corinthians, o Flamengo e o torcedor. Mas quem pediu a transferência do jogo para outra cidade se deu bem – não vai trabalhar no domingo.
Sobrará vontade ao Corinthians contra o Flamengo
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Quase centenário, o Corinthians terá uma boa oportunidade de provar a sua grandeza no próximo domingo. Time grande tem que entrar sempre em campo para ganhar. Time grande não pode ver a cor da camisa do adversário ou a quem o seu triunfo vai ajudar. E a recuperação é necessária. Afinal, a equipe precisa encerrar a série de derrotas – as últimas foram para Avaí e Náutico. Azar do destino se uma vitória sobre o Flamengo irá ajudar os rivais São Paulo e Palmeiras na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro.
Só que não basta raça e disposição para derrubar o Flamengo. O time carioca teve, contra o Goiás, um tropeço que colocou o campeonato em risco, mas apresentou futebol de qualidade em todo segundo turno. Claro que não se pode dizer o mesmo do Corinthians. O time do Parque São Jorge tem se arrastado no Brasileirão, tendo o brilhante primeiro semestre como justificativa. Justificativa irracional, mas sempre utilizada.
Mas o fato é que o futebol desapareceu do Corinthians com as saídas de André Santos, Cristian e Douglas. Somado a desorganização tática, alguns problemas no elenco atrapalharam o desempenho da equipe. Além da falta de motivação, que não deve faltar no Brinco de Ouro. Afinal, ninguém vai querer ouvir que uma possível derrota aconteceu por causa do tal corpo mole.
Por isso, o Flamengo terá dificuldade extra no domingo. O Corinthians deverá abandonar a preguiça e buscar uma última atuação decente nesta temporada. Mesmo que alguns torcedores corintianos queiram uma derrota do próprio clube em uma clara demonstração de que colocam a rivalidade acima da grandeza do clube. Mas será uma surpresa se os jogadores fizerem o mesmo. Só o momento técnico ruim pode explicar uma nova derrota.
Zagallo, Ronaldo e a Copa
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Zagallo é um sábio. O regionalismo não permite que ele seja respeitado como um ídolo nacional, infelizmente, mas é sempre bom escutar a opinião do Velho Lobo. Afinal, sem ser craque (e no seu tempo havia dezenas deles), ajudou a revolucionar o futebol, atuando mais recuado na Copa de 1958. Em 1970, organizou uma seleção que tinha vários talentos, mas não brilhava sob o comando de João Saldanha.
Cometeu, claro, suas burradas. Como em 1974, quando revelou total desconhecimento sobre a Holanda. Ou em 1998, quando relegou Edmundo, o melhor jogador em atividade no Brasil, ao banco de reservas. Coisas que acontecem, mas não apagam seus méritos. Por isso, é bom vê-lo recuperado, como aconteceu na semana passada, quando esteve em Curitiba.
Seu recado, sobre Ronaldo, foi claro. “Apesar de ter feito uma lipo, está gordinho, mas torço por ele, porque de centroavante é o melhor de todos”. “Eu espero que, dentro deste período (até a convocação final para o Mundial), ele mostre que fisicamente pode, porque capacidade técnica e habilidade ele tem. Só falta o lado físico para chegar e demonstrar: eu quero, eu vou”.
Duas análises perfeitas. Ronaldo fez lipo? Pois não parece! (como diria Luiz Pareto). E a forma física, que tanta polêmica levantou antes, durante e depois da Copa do Mundo de 2006, continua sendo o seu problema. Não que ela esconda o talento, mas demonstra falta de comprometimento, o que Dunga não perdoa.
Assim, a pré-temporada de 2010 do Corinthians pode definir a ida de Ronaldo à África do Sul. Em forma, Ronaldo vai fazer muitos gols quando jogar no Paulistão e será importante para o Coritnthians na Libertadores. Aí, Dunga e Ricardo Teixeira podem até não querer. Mas a opinião pública paga a passagem de Dunga para a Copa do Mundo.
Nilmar aproveitou o amistoso contra Omã
Domingo, Novembro 22, 2009
Um amistoso contra Omã jamais terá muita serventia para a seleção brasileira. Assim, ninguém se surpreendeu ao ver o futebol burocrático da seleção brasileira (principalmente no segundo tempo) na vitória por 2 a 0, na última terça-feira, que até poderia ter se transformado em vexame, já que a primeira chance clara de gol foi do inexpressivo adversário na partida que marcou o encerramento de uma temporada quase perfeita.
Mas o amistoso serviu ao menos para Nilmar. O ex-atacante do Internacional, e agora no Villarreal, ficou ainda mais perto de se garantir na Copa do Mundo de 2010. Afinal, Luís Fabiano, Robinho e Adriano, em condições normais de temperatura e pressão, já estão com o passaporte carimbado para o Mundial da África do Sul. Resta uma vaga, a não ser que Dunga opte por levar cinco atacantes.
Nilmar, que já havia voado no amistoso contra a Inglaterra, com gol e pênalti sofrido, voltou a ser decisivo contra Omã ao abrir o placar do triunfo magro e decepcionante. Além disso, demonstrou a disposição que faltou a maioria dos jogadores. E essa é uma das qualidades que Dunga adora.
A concorrência de Nilmar também não é das mais assustadoras. Vagner Love, que sonhou em brilhar no Palmeiras e voltar a ser lembrado por Dunga, tem mostrado que é um bom jogador, no máximo, para o CSKA Moscou. Fred voltou a brilhar no Fluminense, após parecer estar mais ligado no surfe, mas nunca foi dos mais queridos por Dunga. E Ronaldo (que será tema do próximo post) depende da opinião pública, com um primeiro semestre de 2010 perfeito, para disputar mais uma Copa do Mundo.
Assim, o próximo objetivo de Nilmar parece ser roubar a vaga de Robinho no ataque do Brasil. E, pelo que tem apresentado nas últimas partidas da seleção, ele já merece a titularidade. Até pelo que Robinho não tem mostrado. Resta ser mais regular e decisivo no Villarreal, além de convencer Dunga de que a dedicação de Robinho para defender o Brasil na Copa América de 2007 não pode ser justificativa para mantê-lo entre os titulares.
O problema não é só motivação
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
O discurso tem se repetido para justificar fases ruins ou meros tropeços de diversos times. A culpa é sempre da falta de motivação. E foi o mais usado para justificar a degringolada do Corinthians no Brasileirão pouco depois do time ter conquistado o título da Copa do Brasil.
É verdade que em alguns momentos parece faltar motivação para alguns jogadores. Mas dizer que é só isso parece uma necessidade de simplificar a crise técnica do Corinthians, que não se encontrou após perder Cristian, André Santos e Douglas. Mano Menezes não encontrou uma nova forma de fazer o time vencedor. E a apresentação diante do Avaí foi um retrato disso, mesmo que as ausências de William, Alessandro e Jorge Henrique tenham atrapalhado o desempenho da equipe.
Faltou organização tática diante de um adversário que tem isso como seu principal mérito. Para piorar, ainda havia Balbuena e a sina corintiana de contratar defensores sul-americanos botineiros. Elias, por preguiça (ou falta de companheiros de qualidade?), caminhando na Ressacada e a falta de opções no banco de reservas minaram o Corinthians, que precisa se organizar para a Libertadores.
Do outro lado havia um Avaí entrosado, organizado e comprometido (dessa vez não dá pra fugir do clichê). A surpresa do campeonato que, incrível, ainda pode sonhar com uma vaga na Libertadores. E deve ser o time que veio da Série B com a melhor campanha deste Brasileirão. Superando, inclusive, o poderoso Corinthians.
O tetra-hepta parece perto
Terça-feira, Novembro 17, 2009
O Flamengo sonha, é eficiente, tem jogadores decisivos e poucos defeitos no time titular. Jogou futebol de campeão nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Porém, não depende apenas das suas forças para conquistar o hexacampeonato (sim, eles já são penta!), mesmo que Andrade e Petkovic mereçam muito, e que o time tenha bola para vencer os seus três últimos jogos.
O Palmeiras teve o título nas mãos em quase todo segundo turno. Mas sofreu demais sem Cleiton Xavier, Pierre e Maurício Ramos. Errou demais. A torcida já desistiu do título brasileiro. Agora, parece ser mais fácil Diego Souza provar que é realmente decisivo do que o troféu ir para o Palestra Itália.
O Internacional passou mais um ano sendo chamado de melhor time do futebol brasileiro. Mas falhou na hora de comprovar isso. Perdeu a Copa do Brasil para o Corinthians. Depois vendeu Nilmar, apostou tempo demais em Tite e trouxe Mário Sérgio (nem Stanilaw Ponte Preta seria tão criativo). Ninguém mais acredita que o jejum de 30 anos termine no centenário do Colorado.
Sobrou para o São Paulo. Início de Brasileirão claudicante por conta da ressaca da Libertadores, chegada de técnico com currículo duvidoso, futebol feio e previsível, sinais de final de um ciclo. O desejo de ver o Time Diferenciado disputando a próxima Copa do Brasil parecia que iria se realizar.
Até que a mesma história de 2008 se repetiu. Aos trancos, o arroz-feijão-ovo do São Paulo funcionou. E os mais de 50 mil presentes ao triunfo sobre o Vitória no último sábado deixaram o Morumbi com os gritos de “É campeão!”. Há motivos para acreditar que não eram devaneios simplesmente por uma vitória indiscutível, mesmo em mais um dia de briga entre a bola e Washington.
A vitória segura (e não existe adjetivo que caia melhor na atuação de um time que luta por um título) mostrou dois velhos conhecidos do tricampeão brasileiro sobrando em campo. Hernanes, voltando a cadenciar, controlar o jogo e a dar lindas assistências, e Jorge Wagner, um motor em campo, com rara precisão em cruzamentos e jogadas de bola parada.
Mais do que isso, o São Paulo carrega a certeza de que vai dar. Se a necessidade de ser campeão pode ter pesado sobre o Palmeiras, com o Time Diferenciado acontece o contrário. O atual elenco sabe ser campeão. E se conseguir não transformar isso em euforia, o título está muito perto. Ainda mais que os próximos adversários não assustam.
O Botafogo (16ª no Brasileirão, 12º no returno) parece ser o que mais complicado. Time na luta contra a degola, clube grande, jogando em casa. Esses fatores fortalecem a equipe da Estrela Solitária. A torcida, o elenco fraco, a pressão contra a queda atrapalham. Resta aos flamenguistas (palmeirenses, colorados…) acreditarem em uma sina do Botafogo: nos últimos anos, o time tem sempre ajuado ao rival rubro-negro que seus torcedores tanto odeiam.
As outras duas partidas parecem já estar definidas. Fica difícil acreditar no Goiás, surpreendente no primeiro turno, lanterna do returno. Da boa fase, sobrou apenas a violência do time que mais bate no Brasileirão. Mas que adora apanhar e ser coadjuvante do São Paulo nos últimos anos. Além de perder jogadores (Josué, Danilo…) para o time do Morumbi.
Por o último, o Sport. Rebaixado, 17º colocado no segundo turno, sem técnico, com elenco desmotivado. E, como diz Martín Fernandez, com o objetivo alcançado: voltar ao Módulo Amarelo. Fica difícil crer nos pernambucanos. Assim, o São Paulo só não será campeão se cometer erros que não aconteceram nos últimos três anos. O tetra-hepta pode estar mais perto e ser mais fácil do que parece.
Dunga deve adorar um Chicabon
Sexta-Feira, Novembro 13, 2009

“Sem sorte, você não chupa nem um Chicabon. Você pode se engasgar com um palito ou ser atropelado pela carrocinha”. A frase genial de Nelson Rodrigues parece ser um mantra para Dunga, técnico da seleção brasileira. Afinal, o acaso tem sido caridoso com o capitão do tetracampeão mundial. Começou com a sua contratação para ser técnico do Brasil, fruto do clamor popular por dedicação, garra e entrega em campo. E, de repente, ele virou treinador da seleção sem sequer ter feito um estágio em algum clube brasileiro.
Claro, é mais fácil ter sorte no comando do Brasil, onde o talento pode ajudar a corrigir erros básicos cometidos pelo técnico. Difícil deve ser passar por situações semelhantes no comando do Bragantino, do ABC ou de Omã, mas, em algumas situações Dunga parece realmente ter sido um escolhido, sabe se lá por qual razão.
Nesses pouco mais de três anos de Dunga na seleção brasileira, o técnico poderia ter ficado desempregado inúmeras vezes. Mas logo o treinador era brindado com uma postura kamikaze da seleção chilena, por exemplo, e terminava blindado pela CBF. Por isso, e também porque mostrou alguma competência, estará na Copa do Mundo de 2010.
Não seria nos amistosos contra Inglaterra e Omã que Dunga perderia a sua fiel companheira. E assim está sendo. Para os jogos que encerram a temporada, o treinador convocou quatro zagueiros: Lúcio, Juan, Luisão e Naldo. Lista natural, condizente com as últimas do treinador, principalmente diante da decisão de não chamar atletas que atuam no Brasil. Mas nem por isso a mais correta e apropriada.
Na última convocação, Dunga ignorou o melhor zagueiro brasileiro em atividade no futebol europeu. Contratado pelo Milan em dezembro de 2008. Thiago Silva teve que esperar mais de seis meses para fazer a sua estreia oficial, já que o clube italiano já havia atingido o limite de jogadores estrangeiros no elenco na temporada 2008/2009.
O primeiro jogo disputado por Thiago Silva aconteceu em julho de 2009. E desde então o zagueiro brasileiro não deixou a equipe titular do Milan. Apresentando o mesmo futebol que o consagrou no Fluminense, Thiago Silva já arranca elogios na exigente Itália (principalmente com os defensores) por seus desarmes precisos. Confiante, tem se arriscado no ataque, feito gols e ajudado na recuperação do Milan no Campeonato Italiano.
Mas Dunga ignorou a boa fase de Thiago Silva. Até Luisão ser acometido por uma apendicite e ter que passar por uma cirurgia na véspera da apresentação. Aí não teve jeito e Dunga teve que recorrer ao ex-jogador do Fluminense. Além disso, Juan, contundido, segundo a Roma, não apareceu em Doha. Assim, a seleção está com apenas três zagueiros. Dunga poderia escalar Lúcio e Thiago Silva, deixando Naldo no banco de reservas. E chupar um Chicabon enquanto assiste o Brasil enfrentar a Inglaterra no próximo sábado.
‘Ninguém anda com livro da Wada na bolsa’
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
“Eu não sabia que a substância não poderia ser usada e, se soubesse, com certeza não faria mais um tratamento desses”.
“Voltei de Copenhague no dia 4 e, no dia 5, vi o e-mail, em inglês. Lá estava escrito que constava a furosemida na minha urina. Só aí fui procurar saber o motivo de a informação estar lá, e descobri que a substância era proibida”.
“É óbvio que não sei o nome de todas as substâncias proibidas de cabeça. Ninguém anda com livro da Wada na bolsa. Fui ingênua, mas também não esperava ser testada, porque nem estou em condição de competir.”
As frases e explicações são de Daiane dos Santos, flagrada em exame antidoping com a substância furosemida.
Assusta o desconhecimento e a falta de preocupação dos atletas brasileiros com sua preparação e uso de medicamentos. Daiane, assim como aconteceu com Maurren Maggi e continuará acontecendo com outros competidores, vai aprender a se precaver apenas a partir da dor de ficar, provavelmente, um longo período sem competir.
E, nesse caso, não é qualquer atleta, mas a maior ginasta da história do Brasil, campeã mundial em 2003 e que, no momento, se recupera da quarta cirurgia no joelho, em uma luta louvável para voltar a ter chances de triunfar em provas de alto nível. Agora, terá que enfrentar o drama do doping e de ser vista sob suspeita por conta de um diurético usado para um tratamento estético e de sua ingenuidade. O esporte de ponta do País vai muito mal.





