Havia muita expectativa para a primeira partida da seleção brasileira no pós-Copa. Sob novo comando, o Brasil, com uma equipe renovada, tinha as estreias dos santistas Paulo Henrique Ganso e Neymar, candidatos a astros no Mundial de 2014, como principais atrativos. Mas quem roubou a cena foi o técnico Mano Menezes, também debutante na equipe.
Substituto do agora odiado Dunga, Mano recebeu toda a boa vontade dos torcedores e da imprensa brasileira, carentes de um bom futebol e desejosos de expurgar o fracasso da Copa da África do Sul. Sabedor da situação, o técnico montou uma seleção que atendeu aos anseios populares.
Indiscutivelmente, a equipe sofreu nos dez minutos iniciais, principalmente por conta do nervosismo. E, depois disso, soube se aproveitar de um adversário apático, muito aquém da garra que marcou a participação dos Estados Unidos na Copa do Mundo, e de atuações desastrosas de alguns jogadores, como o zagueiro Bocanegra e o meio-campista Buddle.
Mano, porém, deixou o seu recado e confirmou a promessa de escalar uma equipe ofensiva. Para isso, nem precisou ser ousado. Apostou no esquema tático 4-3-2-1 no Mundial da África do Sul, no entrosamento dos santistas Robinho, Paulo Henrique Ganso e Neymar, e em volantes criativos.
O meio-de-campo talentoso e a movimentação ofensiva dos atacantes surtiram efeito, com gols marcados por Neymar e Alexandre Pato logo no primeiro tempo. E o bom ritmo se manteve no segundo tempo, com duas bolas na trave e inúmeras chances de gol desperdiçadas.
O primeiro triunfo mostrou que Mano Menezes está ciente e pode conseguir renovar a seleção brasileira e fazê-la jogar bonito. Isto não é uma garantia de que a equipe vai faturar o título mundial em 2014, assim como a defesa firme e a precisão nos contra-ataques não foram suficientes para a conquista na África do Sul. Mas o prazer de ver a seleção brasileira atuar pode ter começado a ser reconquistado.
O mérito da mudança de filosofia é de Mano Menezes, mas serão os jogadores que terão a tarefa de aplicá-la com sucesso. E para empolgar o torcedor, Neymar e Ganso não sentiram o tão propalado peso da camisa da seleção brasileira e com a criatividade e precisão apresentados mostraram que podem brilhar em 2014. Agora, resta a defesa ser testada, além dos volantes Ramires e Lucas, que não precisaram marcar meias habilidosos na primeira partida sob a direção de Mano Menezes.