Por Leandro Augusto
A Argentina e o Barcelona têm Messi, o melhor jogador do mundo. O Barça domina completamente o futebol espanhol há três anos, encanta o mundo e faturou dois títulos da Liga dos Campeões da Europa nesse período. Já a seleção argentina fracassou no ciclo da última Copa do Mundo. Não conseguiu ser campeã da Copa América e foi humilhada pela Alemanha nas quartas de final do Mundial da África do Sul.
Por isso, Messi é a esperança de levar a Argentina para um novo período de glórias. E para que o astro possa repetir suas atuações portentosas do Barcelona na sua seleção, a estratégia mais óbvia é repetir o esquema tático e o estilo de jogo do time espanhol na seleção. Foi isso que se prometeu para a Copa América. O empate por 1 a 1 com a Bolívia e a atuação medíocre em La Plata mostraram que não será tão fácil assim.
A premissa do Barcelona é dominar o adversário com incessante troca de passes, sem se preocupar em ser excessivamente vertical. O momento de definição surge quando aparecem os espaços na defesa do adversário. Nesse momento, o time catalão é cirúrgico ao acelerar o ritmo do jogo com Messi, Iniesta, Xavi Hernández.
Diante da Bolívia, Sergio Batista escalou três volantes – Banega, Cambiasso e Mascherano. Nenhum deles possui a característica de dosar o ritmo do jogo. Nem com os bolivianos cedendo o controle da posse de bola, os argentinos souberam o que realizar em campo. Também porque faltava aproximação aos atacantes, o que levou Messi a retornar demais para o meio-de-campo.
Como o craque iniciou a estreia da Argentina na Copa América ligado, a equipe poderia ter aberto o placar no primeiro tempo em jogadas de Messi que terminaram com finalizações de Lavezzi e Tevez. Só que faltava ao craque algum meia para compartilhar a criação ofensiva.
A inspiração da Argentina era o Barcelona, mas, com Messi mais apagado, o segundo tempo foi mais madrilenho e valenciano, ambos coadjuvantes do protagonismo catalão na Espanha. Para o bem e para o mal. Primeiro com Banega, do Valencia, que cometeu erro grosseiro e não conseguiu evitar gol do brasileiro Bolívia.
Apesar do gol adversário, a postura da Argentina era diferente da etapa inicial, principalmente por conta da entrada de Di María, do Real Madrid, no intervalo, que deu mais dinamismo ao ataque. E em uma jogada sua, Agüero, do Atlético de Madrid, empatou o jogo.
Veio a igualdade, mas não a virada porque faltou pressionar a Bolívia, com um ritmo constante no ataque. Insistência ofensiva que poderia ter ocorrido se Pastore estivesse em campo municiando os atacantes. Pode ocorrer nos próximos jogos, com mudanças na escalação e na estratégia. Matéria-prima para repetir o Barcelona de Messi há, mas não basta apenas ter Messi.