Por Leandro Augusto
Quando o Brasil iniciou a sua participação na Copa América existiam duas médias de gols da Era Mano Menezes que chamavam a atenção. Em nove partidas disputadas sob o comando do treinador, a equipe havia feito apenas 10 gols e sofrido só dois, com médias de 1,11 e 0,22, respectivamente, por partida.
Estatísticas que indiscutivelmente mostravam que o ataque estava funcionando menos do que o esperado diante da qualidade dos jogadores ofensivos da seleção brasileira, como Alexandre Pato e Neymar. A lógica era oposta para o seguro sistema defensivo, com bons jogadores, como Thiago Silva, que pareciam deixá-lo intransponível.
Os números foram atirados ao lixo nas últimas partidas, principalmente na vitória por 4 a 2 sobre o Equador, na última quarta-feira, em Córdoba. Sob pressão, correndo risco de ser eliminada na primeira fase da Copa América, a seleção brasileira viu suas deficiências mudarem de lado.
Alexandre Pato e Neymar enfim desencantaram. Marcaram dois gols, lideraram a equipe e mostraram um pouco do que fazem no Milan e no Santos, respectivamente. Na lateral direita, Maicon deu mais mobilidade, foi bem no setor ofensivo, atropelou os marcadores equatorianos e Daniel Alves. Assim, o Brasil fez quatro gols.
Mas o placar dilatado não veio, e a classificação foi sofrida porque o Equador conseguiu expor deficiências da defesa brasileira. Ramires e Lucas Leiva pecaram no combate. Thiago Silva e Lúcio cometeram vacilos, deram espaços aos atacantes adversários e se desentenderam em alguns lances. Mas o principal problema não foi esse.
Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, a seleção brasileira, dirigida por Dunga, jogava quase sempre retrancada como visitante. Não importava que o adversário fosse o Equador. Foi assim em março de 2009, quando o Brasil empatou por 1 a 1 com os equatorianos. Julio César, em excelente fase na Inter de Milão, foi decisivo para que a equipe não fosse goleada.
A atuação de Julio César foi tão boa que deu força a avaliações de que o Brasil tinha o melhor goleiro do mundo. Isso pode até ter sido realidade em um período entre 2008 e 2009. Mas ninguém deve acreditar mais nisso depois do pífio desempenho da vitória da seleção sobre o Equador na quarta-feira.
A boa movimentação e a habilidade de Caicedo expuseram os espaços entre meio-campistas e zagueiros do Brasil. Os dois chutes no meio do gol escancaram o momento ruim de Julio César. Agora, o antes intocável goleiro tem mais duas falhas para pensar antes de dormir. Não são mais apenas os erros das quartas de final da Copa do Mundo de 2010 e das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa deste ano que atingem a imagem do jogador da Inter de Milão e fazem o mito de melhor goleiro do mundo ser apenas mais um mito.
