Atlético 1 x 3 Flamengo

Segunda-feira, Novembro 9, 2009

No início do Campeonato Brasileiro, Atlético e Flamengo praticamente não apareciam nas listas de favoritos ao título e raramente figuravam no grupo de times com chances de classificação para a Libertadores de 2010. Com o Galo, a avaliação era ainda pior. O time lutaria contra o rebaixamento. Era afirmar o contrário e ser chamado de “fanático”. Coisas do futebol visto em melhores momentos (quiçá nem isso).

O Atlético provou logo nas rodadas iniciais que ocorrera um obsceno erro de avaliação. Com um time organizado por Celso Roth, que conseguiu afastar o fantasma do vexame da final do Campeonato Mineiro, a equipe assumiu a liderança do Brasileirão com um futebol veloz e uma marcação eficiente. Mas, apesar de nunca ter ficando abaixo da sexta colocação, o time precisou de ajustes no meio da competição.

As contratações realizadas durante o segundo turno (Benítez, Carini, Corrêa e Ricardinho foram os reforços que deram certo) ajudaram o Galo a reagir. Se não assumiu a liderança novamente, voltou a ficar perto da ponta e chega às rodadas finais ainda com chances de título e muito forte na briga por uma vaga na próxima Libertadores.

O Flamengo sofreu mais. Com Cucas e um desempenho pífio como visitante, parecia morto no Brasileirão. Até que a diretoria se mexeu. Já com o time sob o comando de Andrade, chegaram Álvaro, Maldonado e Petkovic. O rubro-negro cresceu, já que o treinador mostrou que o futebol é simples, os reforços ajeitaram o time e a torcida veio junto.

Por isso, além do esperado duelo entre os artilheiros Diego Tardelli e Adriano, havia expectativa pelo desempenho dos reforços de Atlético e Flamengo. E a atuação destacada de algumas das últimas contratações do time carioca, mesmo que o placar tenha sido exagerado (um 3 a 2 seria mais justo e não entristeceria nenhum rubro-negro, já que o placar seria o mesmo de outras vitórias históricas do time carioca sobre o Galo) deram uma vitória justa ao pentacampeão brasileiro.

A vitória flamenguista começou com Álvaro (ironia, já que o zagueiro foi oferecido ao Atlético, mas Celso Roth preferiu indicar Jorge Luiz…). Jogando com seriedade, comandou a defesa do Flamengo, fez faltas quando foi necessário, além de alguns desarmes decisivos para barrar o (dessa vez nem tão) rápido ataque atleticano. Foi tão bem que corrigiu erros de marcação de Juan, que permitiriam que Eder Luís tivesse espaço para jogar pela ponta direita.

Mas, infelizmente, faltou ao Eder fazer a leitura do jogo. Ele preferiu atacar pelo meio ou pelo lado esquerdo. Assim, “trombou” com a marcação de Leonardo Moura. E ali está um dos méritos de Andrade nessa passagem pelo Flamengo. O lateral-direito ainda não é um marcador nato, mas melhorou muito, como comprovado no triunfo sobre o Atlético.

Já Ronaldo Angelim apresentou enorme dificuldade para sair jogando, mas contou com a sorte, já que Corrêa, desperdiçou chance clara de gol, quando o placar já marcava 2 a 0, na principal falha do zagueiro. Falhas que o Flamengo soube aproveitar para construir sua vitória. Como aconteceu no primeiro gol da partida.

Antes de disputar seu décimo jogo pelo Galo, Carini já havia conquistado a confiança do torcedor atleticano. Mas o uruguaio, que teve atuações brilhantes contra Barueri e Vitória, decepcionou. Colocou um chute fraco de Zé Roberto para escanteio. O que aconteceu depois será tema de discussão entre os atleticanos durante alguns dias.

Sorte não foi. Petkovic, uma das razões de Celso Roth ter escalado uma formação mais defensiva do que de costume (a outra foi Adriano, que foi bem marcado), mostrou que um craque pode entrar em campo sem o condicionamento ideal ou até contundido. E em uma cobrança de escanteio (só com o seu talento? Com ajuda de Thiago Feltri? Com ajuda de Carini? Com ajuda dos dois jogadores?) mudou a partida, até então bem controlada pelo Atlético, e marcou o centésimo gol do Flamengo em 2009.

Mas ainda havia mais. Como Roth bem definiu, “o Flamengo defendeu como time pequeno e atacou como time grande”. E se Álvaro liderava o miolo de zaga, quem comandava o meio-de-campo era Maldonado, acertando o posicionamento de Williams e Airton. E esbanjando qualidade em um contra-ataque, aproveitou um buraco do meio-de-campo do Atlético (foi para isso que o Renan foi escalado?) para marcar um gol mais fácil do que bonito.

A saída de Renan e a entrada do Evandro mudaram a configuração do meio-de-campo do Atlético no início do segundo tempo. Jonílson ficou mais solitário na marcação. Ricardinho recuou e passou a trabalhar ao lado de Corrêa. As tarefas de encostar nos atacantes e de criação passaram a ser de Evandro. Até funcionou, já que a saída de bola passou a ter mais qualidade, e o Galo diminuiu logo no início da etapa final.

Mas as funções de Jonílson eram muitas. Depois de passar o primeiro tempo tentando consertar os erros de Renan, lhe restou acompanhar Petkovic, cobrir os avanços de Thiago Feltri e dar uma mão para Benítez e Werley. Mesmo sem muita qualidade, deu conta do recado na base da raça. Mas era preciso que o setor ofensivo resolvesse.

O Atlético, porém, não conseguia ser perigoso. E quando era incisivo, Bruno tratava de praticar o anti-jogo em seguida. Na única nota realmente negativa desse confronto, o goleiro do Flamengo fingiu estar contundido desde o primeiro tempo e recebeu atendimento médico em inacreditáveis quatro vezes. A sua postura e a passividade de Leonardo Gaciba irritaram até mais do que o pênalti em Thiago Feltri, ignorado no primeiro tempo.

Como não havia espaço para os lançamentos precisos de Corrêa, a aposta para mudar o jogo foi a velocidade de Serginho. Mas o promissor volante não teve tempo para incendiar a partida. Com apenas um minuto em campo, viu Carini falhar (agora ninguém discute o erro) em cruzamento e Adriano, mesmo sem jeito, cumprir a função do artilheiro e definir o duelo: Flamengo 3 a 1. Os últimos 13 minutos de jogo serviram apenas para começar a esvaziar as arquibancadas do Mineirão. Elas ficarão assim até o começo do próximo jogo do Atlético em Belo Horizonte.

Empate insosso, mas sem drama

Sexta-Feira, Outubro 16, 2009

As duas bolas na trave, uma com Gilberto Silva e outra com Kaká, no empate por 0 a 0 com a Venezuela podem ter servido como um aviso do destino ao técnico Dunga, que passou as últimas semanas destilando ironia e soberba em entrevistas coletivas, e aos dirigentes da CBF, que priorizaram a política e preferiam levar o último jogo do Brasil nas Eliminatórias para Campo Grande, uma cidade sem times nas Séries A e B em um estádio aquém das necessidades.

O empate mostrou que, apesar da classificação com três rodadas de antecedência para a Copa do Mundo de 2010, alguns problemas podem atrapalhar o Brasil na África do Sul. E é bom Dunga ficar atento para corrigi-los ou, ao menos minimizá-los.

Foi o quinto 0 a 0 em nove partidas disputadas em casa nas Eliminatórias. Definitivamente, a seleção brasileira não consegue superar retrancas. É preciso que se crie alternativas para superá-las. Ninguém dará espaço ao time na África do Sul.

Luís Fabiano é artilheiro e decisivo. Mas é de Kaká que o Brasil depende para ter chances de gol. E é o meia do Real Madrid quem dita o ritmo da seleção em campo. Foi assim em Campo Grande, com o craque criando, comandando a equipe e sendo caçado pelos venezuelanos.

Mas Kaká não pode fazer tudo sozinho. Faltaram (ou faltam?) parceiros no meio-de-campo. Gilberto Silva fez, e bem, o seu papel de primeiro volante (depois, foi zagueiro, como em 2000, em seu primeiro ano no Atlético). Mas Lucas, tímido, e Ramires, afobado demais, pouco contribuíram.

O apoio necessário que Kaká precisava não surgiu das laterais, ao menos dessa vez. Maicon errava passes e cruzamentos, enquanto Filipe Luís preferiu ser burocrático e, pior, chegou a tropeçar na bola. Não mostrou nada que justificasse as suas últimas convocações.

O momento, porém, não é para drama. O mantra repetido por Dunga de que jogador para atuar na seleção brasileira precisa ter “comprometimento” parece ter colado. Se a vitória não veio, não faltou disposição. E a falta de criatividade e de parceria para Kaká devem ser corrigidos com o retorno de Daniel Alves ao time.

Ficará faltando organizar a lateral esquerda e arrumar um companheiro para Luís Fabiano. A tendência, porém, é de sofrimento com André Santos e Robinho em 2010. A preparação antes da Copa terá que focar em jogadas de velocidade e transição para o ataque, que precisam ser bem feitas para superar retrancas. Mesmo que isso não seja feito, as chances do hexacampeonato são boas. Afinal, o talento pode decidir torneios de tiro curto.

Sábado histórico para os palmeirenses

Sexta-Feira, Setembro 4, 2009

Sábado será um dia especial para o torcedor palmeirense. Muito mais do que um duelo para consolidar a liderança do Campeonato Brasileiro, a partida contra o Barueri marcará o reencontro de um ídolo recente com o torcedor e o bom trabalho de uma diretoria comprometida em lutar pelo título da competição. Se Muricy Ramalho não exagerar na cautela, o Vagner Love, que vestiu a camisa 9 novamente na segunda-feira e disse que estava “arrepiado”, vai disputar seu primeiro jogo oficial no Palestra Itália após cinco anos.

A fila na tarde de quinta-feira no estádio mostrou que a euforia também é dos torcedores. Já são 12 mil ingressos vendidos e a perspectiva de casa cheia. Tudo porque a camisa 9 do Palmeiras volta a ter um dono. O time paulista é um dos que mais sofreu com a falta de um centroavante de qualidade nos últimos anos. Teve que engolir Gioino, Washington, Kahê e outros jogadores que despontaram para o ostracismo ao fracassem na profissão de centroavante de um dos grandes clubes do futebol brasileiro.

E a reestreia de Love acontece pouco mais de seis meses da ilusão de que a camia 9 voltava a ter um dono. Porém, o encantamento por Keirrison durou pouco. O atacante não economizou nos gols nos primeiros jogos, mas caiu no conceito do torcedor ao sumir em partidas decisivas da Libertadores e em clássicos no Paulistão. A saída conturbada e as declarações após a oficialização da transferência tornaram o K9 odiado.

Para resgatar o místico número, a aposta foi em um personagem fundamental de um passado que parecia ser de reconstrução palmeirense. Vagner Love não é atacante brilhante e também cometeu o seus deslizes, como na sua negociação frustrada para defender o rival Corinthians. Mas a boa média de gols, o bom desempenho na Série B de 2003 e no início do Brasileirão de 2004 superam qualquer desconfiança. Além do sonho realizado de ver o artilheiro voltar à sua casa.

O retorno de um ídolo, ainda que com prazo para acabar, já transforma o sábado em um dia histórico para o palmeirense, independentemente de placar e mesmo acreditando que Love ainda enfrentará dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro. Ainda longe de ver o melhor ataque do Brasil, o torcedor terá ao menos a dupla (Love e Obina) mais folclórica do futebol em campo no Palestra Itália.

Oeste 1 x 2 Santos

Segunda-feira, Março 9, 2009

Faltou dignidade aos dirigentes do Oeste. Transferir um jogo contra o Santos para o Pacaembu é daqueles absurdos que me fazem torcer pelo rebaixamento da equipe para a Série A2 do Campeonato Paulista. Mas, afinal, o que esperar de um clube que armou um empate com o Mogi Mirim, no ano passado, para conseguir o acesso?

Sábado, mesmo jogando contra mais de 20 mil torcedores, os jogadores mostraram que não merecem cair. A campanha do Oeste é pífia, mas curiosamente a equipe tem feito duelos equilibrados com times grandes. Foi assim contra São Paulo e Santos. O time de Itápolis teve boas chances para terminar o primeiro tempo contra o time da Baixada vencendo. O estreante técnico Luciano Dias surpreendeu ao colocar um time ofensivo em campo. Com isso, a equipe de Itápolis marcava o Santos em seu campo e confundia o adversário.

Os zagueiros do Santos em noite (que horário, hein FPF e SporTV…) pavorosa contribuíam com o adversário. Mas Caíque decidiu retribuir o auxílio ao perder a melhor chance de gol de toda partida. Do Santos, só se viu laterais inoperantes, Roni completamente isolado no ataque, uma (e só uma) grande jogada de Molina e muita entrega de Madson.

A apatia santista teve imensa responsabilidade do técnico Vagner Mancini, que colocou a equipe em um medroso 3-6-1. O esquema deu certo contra o São Paulo, mas jamais poderia ser utilizado diante do Oeste. Pior foi a decisão de colocar mais um volante (Germano, que entrou bem) com a lesão de Adaílton. Roni ficou muito isolado.

Mancini consertaria seu erro no início do segundo tempo, com a entrada de Neymar no lugar de Molina. Afinal, o Santos passou a ter dois atacantes, a torcida voltou a incentivar o time (até pela histeria para ver a primeira partida da promessa Neymar entre os profissionais) e o Oeste passou a ser sufocado.

Os gols saíram naturalmente. Antes disso, Neymar quase fez um golaço, naquele que teria sido mais um momento histórico para se guardar. Roni marcou, Madson também e o Oeste diminuiu.

A vitória manteve o Santos forte na briga pela quarta vaga nas semifinais do Paulistinha (melhor assim, como a torcida do Palmeiras gritou contra o Colo Colo), ao lado de Santo André e Portuguesa. Mas é bom ser mais ofensivo. Ou o time irá sofrer, depender demais de Kleber Pereira e até ficar fora da fase final (o Santo André é o meu favorito).
O confronto de sábado foi o segundo entre Oeste e Santos. O primeiro ocorreu em 2004, quando o time de Itápolis jogou na elite do futebol paulista pela primeira vez. Acabou rebaixado ao perder 12 pontos por escalar jogadores irregulares. Faz tempo que esse time tem problemas jurídicos…

O jogo terminou 1 a 0 para o Santos, gol de Jerri. Confiram a escalação do time na partida, disputada em 21 de janeiro de 2004, na primeira rodada do Estadual:

Júlio Sérgio; Paulo César, Pereira, André Luís e Léo; Claiton, Renato (Daniel), Preto Casagrande (Leandro) e Jerri; Basílio e Róbson. Técnico: Emerson Leão.

ATLÉTICO 4 x 0 UBERLÂNDIA

Segunda-feira, Março 2, 2009

A vitória por 4 a 0 sobre o Uberlândia serviu para comprovar que o Atlético serviu para comprovar (para quem ainda não tinha certeza mesmo após a boa atuação no clássico contra o Cruzeiro) que o time está muito mais forte do que em 2008. Mais do que isso, o Galo vai brigar pelo título do Campeonato Mineiro, mesmo que o rival Cruzeiro tenha um time superior e melhores opções no elenco. Mas o Atlético vem forte para uma decisão imprevisível e também tem o direito de sonhar na Copa do Brasil.

A tarde de sábado no Mineirão foi recheada de boas novas. A começar, pela presença em bom número de atleticanos – 24.198 pagantes – para uma partida que não valia rigorosamente nada. É até cansativo falar da força da Massa.

O Atlético fez o dever de casa. E com primor. Tratou de deixar o duelo fácil marcando um gol apenas aos dois minutos do primeiro tempo. Continuou no ataque, respeitou o adversário e logo achou o segundo gol do duelo. A goleada, que seria sacramentada no segundo tempo, já estava desenhada.

O Atlético tem um time com desenho tático e que sabe o que pretende em campo – a tão falada objetividade. Pode parecer pouco, mas só com Marcelo Oliveira o time teve arremedos de organização em 2008. Leão, tão questionado por esse escriba, parece ter sinergia com o elenco atleticano. Ninguém brincou, ou fez firula em um jogo que tinha tudo para descambar para a letargia. É a cobrança do treinador.

A cereja do bolo foi a velocidade do ataque atleticano. Eder Luís e Diego Tardelli estão entrosados e já conseguem fazer jogadas em ritmo acelerado. Melhor, boa parte do time acompanha o ritmo dos dois atacantes, com destaque para o garoto Marcos Rocha. Está claro que esta será a marca do Galo em 2009. E Renan Oliveira ainda nem jogou em 2009.

Kleber não funcionou

O jogo era pra Kleber. Como todos armadores machucados, Leão resolveu apostar em três atacantes, com o garoto sendo a referência do ataque. Pode ter sido pela inexperiência ou por ter sentido a pressão de ser titular pela primeira vez, mas o que ficou foi a atuação apagada de Kleber. Logo nos primeiros minutos deixou a grande área do Uberlândia e ficou encostado na ponta direita. Lutou, mas faltou ser incisivo. Anda não está pronto para ser titular.

São Paulo 0 x 2 Santo André

Terça-feira, Fevereiro 3, 2009

Sérgio Guedes não tem cara ou discurso de bom técnico. Mas não há como negar que faz pelo segundo ano consecutivo faz boa campanha no Campeonato Paulista. Foi vice-campeão pela Ponte Preta e deve brigar por uma vaga na fase final em 2009 com o Santo André.

O treinador e os jogadores do Santo André foram os responsáveis pela principal zebra do último final de semana no futebol brasileiro. O Ramalhão foi ao Morumbi e venceu o São Paulo, que não perdia desde a primeira rodada do segundo turno do Campeonato Brasileiro (uuuuufaaaa!) por 2 a 0. E, pelo que vi in loco, não foi sorte (sorte que, aliás, faltou contra o Palmeiras). Pelo contrário.

O São Paulo, claro, estava em um dia ruim. A começar pelas desastrosas atuações de Wagner Diniz, Miranda e Hugo. Pois é… O lateral cavador de pênaltis jogar mal, não é de se assustar. Elvis (lembram dele, flamenguistas?), improvisado na lateral-esquerda, não perdeu uma para o ex-vascaíno, que parecia medroso no Morumbi.

Mas Miranda foi uma surpresa. Fazia tempo que não via um zagueiro de qualidade dar tanto espaço para um atacante como Júnior Dutra no segundo gol do Santo André.

 Mas não foi só isso que aconteceu no Morumbi, em uma partida sem graça, principalmente porque a tática prevaleceu em detrimento do talento, que pouco apareceu no Morumbi e pouco influiu no resultado final.

 Jean, o jogador do São Paulo que mais participou do jogo, ficou sobrecarregado. Com Hugo se escondendo entre os marcadores do Santo André, Hernanes anulado por Ricardo Conceição e os laterais pouco inspirados, sobrou para o volante. E ele não deu conta. Até por estar sobrecarregado na marcação, já que o Santo André jogava com três meias rápidos.

Por isso, foi fácil parar o São Paulo. O time era previsível e lento e com menos de dez minutos perdia por 1 a 0 por conta de uma jogada bem ensaiada do Santo André.

Muricy pouco ajudou. Não conseguiu mudar o estilo de jogo do time no intervalo e mexeu mal no segundo tempo. É verdade que Wagner Diniz não poderia continuar em campo e Arouca seria uma boa opção para atuar pela direita. Só que o treinador colocou o ex-Fluminense no meio-de-campo. E passou Rodrigo para lateral. Não deu certo.

Só tirou Hugo porque o meia passou mal. E mexeu mal novamente. A escolha correta seria por Júnior César, com Jorge Wagner passando para o meio-campo e auxiliando o ex-Flu pela lateral. O treinador colocou Dagoberto. E o São Paulo com três atacantes só ficou mais desorganizado. Depois, não adianta ser mal educado na coletiva…

Enquanto isso, o Santo André manteve a mesma postura durante 90 minutos. Marcação forte, por pressão quando possível e sempre preocupada com os alas e os meio-campistas adversários. E saída em velocidade nos contra-ataques com meias habilidosos (pois é… Marcelinho ainda tem lenha pra queimar).

 Um estilo parecido com o do São Paulo – até para decidir o jogo em momentos cruciais. O time do Morumbi foi picado com o próprio veneno.

A primeira convocação de Dunga em 2009

Sábado, Janeiro 31, 2009

Virou mania ridicularizar Dunga, mesmo quando não há muitas razões. Mais uma vez, no entanto, o ex-volante, que se tornou treinador porque Ricardo Teixeira precisava amenizar os protestos da opinião pública pela, suposta, falta de raça da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006, deu mais alguns motivos para ser criticado na segunda-feira. Afinal, a lista de convocados para o amistoso contra a Itália, em 10 de fevereiro, no Emirates Stadium (o Maracanã da CBF), tem suas obscenidades.

Elas começam pela estranha decisão de não chamar nenhum jogador que atua no futebol brasileiro. “Os atletas brasileiros acabaram de voltar de férias e a musculatura não está pronta para algumas coisas”. Tá bom, Dunga… E então você não chamará ninguém que atua fora do País quando começará a temporada 2009/2010 na Europa? A seleção ficou portanto privada de Miranda, Hernanes, Alex e Ramires, quatro nomes que deveriam ser obrigatórios.

A presença de Felipe Melo já havia sido adiantada em entrevista para a edição de 24 de dezembro de 2008 da Gazzetta dello Sport (entrevista gigante, aliás, que praticamente salvou o meu trabalho numa véspera de Natal evidentemente quase sem nenhuma novidade esportiva). “Analisei o Felipe Melo e me convenci. Acho que ele pode ser chamado para a seleção”, disse.

Nem por isso é preciso concordar. Promessa do Flamengo, reserva no Cruzeiro campeão brasileiro, rebaixado com o Grêmio, boas passagens por times pequenos da Espanha e titular absoluto da Fiorentina – que pagou 11 milhões de euros ao Almería. Bom marcador, mas daqueles que adora dar umas botinadas, e que vai com certa qualidade ao ataque. Mas é muito pouco para chegar à seleção brasileira. Falta currículo e qualidade. Dunga, no entanto, resolveu fazer uma ‘média’ com os italianos. Tanto que chamou outros dez jogadores que jogam na Bota.

Mas não existe maior erro do que chamar Josué. Jogador mediano em quase toda sua carreira, que teve uma boa passagem pelo São Paulo e que até hoje é chamado por suas atuações no Morumbi. Porque no Wolfsburg… Erra passes demais, é baixinho e, portanto, não tem condições de ajudar no jogo aéreo. Simplesmente inaceitável.

E a cabeça de área ainda tem outra convocação difícil de explicar. Anderson, do Manchester United, está machucado. E, se estiver recuperado para enfrentar a Itália, não terá ritmo de jogo. Será que Dunga não acompanha nem os jogos do atual campeão mundial?

Dunga voltou a chamar Ronaldinho Gaúcho. Parece piada, mas o meia-atacante só é chamado quando está em má fase. Foi completamente esquecido em seu início no Milan, quando decidiu várias partidas. Agora, no entanto, perdeu espaço, parece sem vontade e até foi relegado ao banco de reservas. Vai entender a lógica do Dunga…

“É mais fácil segurar um jogador do que ensiná-lo a jogar”, disse o treinador para justificar a convocação de Adriano, pouco depois de ser suspenso por agredir um adversário. Sorte de Adriano. E de Robinho, que fugiu da concentração do Manchester City para passar uns dias no Brasil. Esse definitivamente não é o Dunga que virou técnico para disciplinar a seleção.

E, finalmente, Amauri. “Trazê-lo para um jogo contra a Itália lhe pressionaria demais”. Está certo, Dunga. Nessa você acertou. Acertou? Neste sábado, ele chamou o centroavante da Juventus para substituir Luís Fabiano, contundido. Parece que o treinado esqueceu o que disse na entrevista coletiva de segunda-feira.

CORINTHIANS 2 x 2 BARUERI

Domingo, Janeiro 25, 2009

Ah, o apito amigo…
Tudo indicava que o Corinthians ia começar o Campeonato Paulista com uma surpreendente derrota depois se vangloriar por ter começado a pré-temporada antes dos principais rivais, manter a base que venceu a Série B e contratar bons reforços.

Mas a quinta-feira no Pacaembu foi do Barueri.  O time de três treinadores conseguiu conter André Santos e Douglas (o craque da Série B terá muito a provar em 2009 para ser apontado como um dos melhores 10 do Brasil, ao contrário do que alguns apressadinhos andaram fazendo).

O Corinthians dependia de Alessandro e Cristian. E, claro, nada dava certo. O lateral tentava, tentava e errava. O volante errava passes e atrapalhava a saída de jogo da equipe. Além disso, teve dificuldades para marcar os meias adversários, principalmene enquanto Túlio esteve em campo em nova atuação ruim. Assim, o Barueri abriu 2 a 0 aproveitando-se de atuação tenebrosa de Chicão.

Mas o jogo ainda não tinha acabado. 35 minutos do segundo tempo e Milton Ballerini simplesmente inventa um pênalti para o Corinthians. 2 a 1, pressão da torcida, oportunismo de Jorge Henrique e a partida terminou empatada. Já passaram três dias e a Federação Paulista de Futebol não se pronunciou sobre a arbitragem e nem afastou Ballerini…

Palmeiras atende ao pedido de Marcos

Sábado, Janeiro 24, 2009

No início do ano, Marcos disse que o Palmeiras precisava contratar jogadores experientes, que fossem lideranças dentro de campo. A diretoria demorou muito, mas ao anunciar o acerto com Edmílson mostrou que, se não ouviu o conselho do ídolo, ao menos tem a mesma opinião do goleiro sobre o elenco palmeirense.

Ao contratar Edmílson, o Palmeiras parece buscar um substituto para o Martinez de 2008, que começou o ano como volante e terminou como um dos três zagueiros. Mas as diferenças são muitas e sempre favoráveis ao ex-Villarreal.

Edmílson começou a carreira na zaga e depois passou a atuar também como cabeça de área. Deu certo nas duas funções. Já Martinez nunca conseguiu se sair bem como zagueiro quando tinha apenas um companheiro ao seu lado. Edmílson colecionou títulos em sua carreira. É a tal experiência que Marcos pediu. Ele deve ser escalado na zaga ao lado de Maurício Ramos e Danilo. Só isso já deve satisfazer os palmeirenses, sedentos pela saída do inseguro Jéci. Além disso, é uma esperança de diminuir o número de gols sofridos em jogadas aéreas.

Mas se busca um substituto para Martinez, o Palmeiras corre o risco de reencontrar o Roque Júnior que não teve seu contrato renovado para 2009. Edmílson sofreu com várias contusões em sua carreira, que se não chegaram a macular, atrapalharam sua passagem por Lyon e Barcelona, e até o deixaram fora da Copa do Mundo de 2006. Aos 32 anos, não vinha atuando pelo Villarreal. Porém, ao contrário de Roque Júnior, não vinha passeando por clubes inexpressivos até acertar com o Palmeiras.  Por isso, a aposta é muito boa. E deve dar certo.

SANTO ANDRÉ 0 x 1 PALMEIRAS

Sábado, Janeiro 24, 2009

Melhor do que o esperado

O Palmeiras surpreendeu. Depois de perder dois jogos-treino para times da Série A-2 do Campeonato Paulista (dizem até que já corria risco de ter que disputar a Terceira Divisão do estadual em 2010), conseguiu vencer quando de fato era importante. E se o Santo André não chega a ser um sparring qualificado, também demonstrou que não é nenhum saco de pancadas e que permanecerá, com certa tranquilidade, na elite do futebol paulista.

E a vitória veio mesmo com o esquema sem atacantes (ok, tem o Lenny…), que não deu certo durante a pré-temporada. Mas para isso sofreu. O Santo André dominou quase todo primeiro tempo e o Palmeiras não conseguia encaixar a marcação, principalmente porque o sistema defensivo estava desorganizado com os estreantes Maurício Ramos (teve dificuldades nas bolas alçadas, mas não foi driblado em toda partida) e Danilo. E até Pierre andou abusando das faltas.

A equipe só não sofreu o primeiro gol da temporada graças ao lateral-direito Fabinho Capixaba. E o gol palmeirense surgiu com grande colaboração do limitado lateral (jogador que mais participou da partida, mas errou praticamente na mesma proporção). Além de Capixaba (que dessa vez conseguiu se sair melhor do que Jefferson), ajudaram Lenny – ponto para Luxa, que preferiu escalar o atacante ao ex-Vitória Williams, que, afinal é meia e não tem o menor cacoete de atacante – e, claro, Cleiton Xavier.

O meia, contratado do Figueirense, foi o principal jogador e surpresa palmeirense em Ribeirão Preto. Fez um belo gol e, ao que parece, não sentiu a pressão de vestir a camisa 10 (enquanto isso Diego Souza segue sonolento e, na quarta-feira, só quis saber de finalizar quando acordava). Deu bons passes, que poderiam ter resultado em outros gols se não fosse a dificuldade dos palmeirenses para finalizar, e mostrou habilidade. É cedo, mas é um sopro de criatividade no Palmeiras.

A sorte também esteve ao lado da equipe, já que o Santo André colocou duas bolas na trave. Mas se o time de Luxemburgo conseguir melhorar a marcação, pode dar certo em 2009 apostando na velocidade (e ainda tem Keirrison, Armero e Edmilson). O Palmeiras passou no primeiro teste.