As madeixas de Richarlyson

Sábado, Dezembro 26, 2009

Final de temporada no futebol brasileiro é sempre complicado. Não há muito sobre o que falar, além de especulações sobre contratações que se concretizam em ritmo muito mais lento do que o desejado pela imprensa, ciosa em encher páginas de jornal, noticiários na televisão ou índices na internet. Falta pauta.

Até aparecer Richarlyson e uma matéria na TV mostrando o seu novo visual… O volante são-paulino resolveu fazer um aplique em seu cabelo. Todo mundo viu. São-paulinos voltaram a ser alvos de piadas sobre o suposto (e provável, mesmo que não admita) homossexualismo do jogador. Como resposta, alguns torcedores retrucaram e ameaçaram (e é só isso mesmo, uma ameaça de valentões de internet) agredir Ricky. Esse enredo é antigo e repetitivo.

Funciona assim: nem todo torcedor é homofóbico. Mas todos torcedores (até cruzeirenses e são-paulinos) já cantaram músicas em estádios utilizando o homossexualismo para denegrir os rivais. Isso é histórico e natural em um ambiente masculinizado como o futebol.  E é por isso que Richarlyson é vítima de tantas piadas.

O caso não deveria ser levado tão a sério como é. Como ele não precisaria arrumar e, fundamentalmente, expor uma pretensa namorada que meses depois aparece peladinha na Playboy para provar alguma coisa.

E nem Júlio Fressato, empresário do jogador, precisava dar essa declaração ao Jornal da Tarde para justificar o novo cabelo do são-paulino. “O Richarlyson fez isso porque está de férias, em um momento de descontração. Ele sabe o clube que defende. O que o presidente (Juvenal Juvêncio) permite ou não. Com certeza, ele não voltará aos treinos com este visual”.

No final das contas, é mais um caso de entretenimento no espetáculo que se tornou o futebol. Esse caso não vai extirpar ou aprofundar preconceitos na sociedade. Com ou sem cabelo grande.

O Green Hell literal só surpreendeu a polícia

Sexta-Feira, Dezembro 25, 2009

O Centro de Operações Policiais Especiais, da Polícia Civil do Paraná, entregou inquérito à Justiça em que afirma que a invasão de campo, a pancadaria no Couto Pereira e a confusão que tomou conta de Curitiba após o rebaixamento do Coritiba para a Série B do Campeonato Brasileiro foi premeditada. Mas será que era preciso tanto trabalho para descobrir isso?

Torcidas organizadas têm o dom de realizar festas incomparáveis em estádios de futebol. Sem elas, as partidas perderiam uma parte da sua graça. O problema é que o comportamento delas não resumem a isso. E, apesar de quase sempre ficar apenas em ameaças, em alguns casos as tais organizadas são violentas. Por isso, é necessário que estejam sob controle e supervisão dos órgãos responsáveis pela segurança.

Com o Couto Pereira lotado e a necessidade de vitória para evitar o rebaixamento, a torcida do Coritiba, mais especificamente a Império Alviverde, realizou bela festa antes e durante o confronto com o Fluminense: o tal “Green Hell”, em sua sétima edição (?). Só que os organizadores do jogo e a polícia parecem ter esquecido que se tratava de um jogo de risco.

Dava para imaginar que o rebaixamento para a Série B no ano em que o Coritiba comemorou o seu centenário iria revoltar os seus torcedores. Por isso, o policiamento precisava ser reforçado para o jogo. Além disso, com a proximidade do final do jogo, a segurança deveria estar, principalmente, voltada aos locais próximos ao acesso de torcedores ao gramado, principalmente nos locais onde se concentram as torcidas organizadas.

Mas, ao que parece, planos simples como os citados acima não aconteceram. A barbárie planejada aconteceu. E foi combatida por uma força policial desprevenida. Sorte que os torcedores mantiveram a sina de serem frouxos, mais correndo do que batendo e agredindo policiais, arbitragem e membros da delegação do Fluminense. A tragédia poderia ter sido maior.

Internacional e Santo André entraram em campo na rodada final do Campeonato Brasileiro em condições antagônicas na classificação, mas com situações semelhantes no último jogo do ano. A vitória não era suficiente para que atingissem o respectivo objetivo. O time gaúcho precisava também de um improvável tropeço do Flamengo, enquanto a equipe paulista contava com derrotas de Coritiba e Botafogo.

Nada disso ocorreu, mas ao menos o Inter deixou o Beira-Rio com alguns motivos a comemorar, mesmo com a manutenção do jejum de 30 anos sem títulos do Brasileirão. Afinal, a equipe garantiu matematicamente a classificação para a próxima Libertadores. E a diretoria parece enfim ter acertado em uma decisão: a demissão de Tite foi fundamental para a recuperação da equipe na reta final do torneio.

Diante do Santo André, o Inter teve exibição de gala. Tanto pela garra quanto pela qualidade técnica apresentada. Assim, atropelou com facilidade o adversário que voltará a disputar a Série B. A volta do entendimento entre o grupo parece ter sido o principal mérito da curta passagem de Mário Sérgio pela equipe.

Na rodada final do Brasileirão, se faltou organização em alguns momentos, o talento individual supriu essas falhas. Tanto que pouca gente deve ter sentido falta de Guiñazu. Até porque Sandro dominou o meio-de-campo e mostrou que Dunga talvez não tenha exagerado ao convocá-lo para a seleção brasileira.

A vitória começou a ser construída com excelente assistência de Kleber,  que encerrou 2009 em boa fase, para Alecsandro. O centroavante manteve a sua média. Fez um gol, perdeu outros e protagonizou uma mistura de lances lindos com outros bizarros. Mas quando a fase do time é boa, ele não atrapalha.

Excelente em jogadas aéreas, Índio praticamente definiu o jogo ao fazer 2 a 0 para o Inter em cabeceio. Andrezinho voltou a apresentar o seu cartel de cobranças de falta perfeitas: 3 a 0. O quarto gol premiou Giuliano, principal revelação do futebol brasileiro em 2009 e o dono do jogo.  O Inter mostrou que é time com talento suficiente para brilhar em 2010.

Quanto ao Santo André, o seu gol explica muito porque mereceu ser rebaixado. Partida 4 a 0, pênalti para o Ramalhão. Ninguém se lembrou de homenagear Fernando, que abandonou o futebol. Nunes bateu, converteu a cobrança e colocou mais um gol no seu DVD, que passará pela mão de vários clubes grandes do futebol brasileiro nos próximos dias.

A melancolia era a principal adversária do São Paulo na partida contra o Sport, mas foi superada com facilidade. A ascensão da equipe, a autoconfiança e a sequência de títulos brasileiros fizeram muita gente acreditar no tetracampeonato brasileiro. Derrotas para Goiás e Botafogo, porém, deixaram o sonho muito distante.

O torcedor, com a esperança desfeita, desanimou. Pouco mais de 5 mil ingressos foram vendidos após o time perder a liderança do Brasileirão. Mas o São Paulo fez a sua parte dentro de campo. E se nunca esteve perto de conquistar um incrível tetracampeonato nacional, ao menos garantiu a sua sétima participação consecutiva na Libertadores. Não é pouco.

O São Paulo, com seu tradicional futebol competitivo, se impôs diante de um adversário frágil e que já havia sacramentado o retorno ao Módulo Amarelo há algumas rodadas. Assim, apesar de um início de jogo complicado, a equipe não teve dificuldade para construir uma previsível goleada.

A partida também serviu para confirmar Rogério Ceni e Miranda como os dois jogadores mais importantes do elenco do time do Morumbi.  O goleiro terminou bem o ano mais sofrido da sua carreira. Marcou um gol de falta e ainda evitou que o São Paulo fosse surpreendido no início do confronto. Mesma tarefa desempenhada pelo zagueiro, que foi ao ataque com desenvoltura e classe, mas o azar evitou que terminasse 2009 com um gol.

Entre os jogadores sem a mesma importância no elenco, a goleada confirmou a manutenção de dois ex-tricolores no São Paulo em 2010. Mantendo a ascensão que marcou seu desempenho nas últimas rodadas do Brasileirão, Arouca voltou a desempenhar bem sua tarefa, dando segurança ao sistema defensivo. Já Washington mostrou raça, vibração e fez três gols, reconquistando definitivamente o torcedor do São Paulo. Carimbaram os passaportes para as viagens pela América na próxima Libertadores.

Teoricamente, o Flamengo não teria muitos problemas para conquistar o seu sexto título brasileiro. Afinal, bastava derrotar um desinteressado Grêmio, pressionado com a possibilidade de contribuir para o fim do jejum de 30 anos sem títulos do Brasileirão do rival Internacional. Mas, ainda bem, o futebol não tem tamanha previsibilidade.

A primeira dificuldade do Flamengo no jogo contra o Grêmio foi a necessidade ter que atacar desde o início. Afinal, este foi um time moldado em contra-ataques, com uma boa saída de jogo dos volantes, os passes precisos de Petkovic, a velocidade de Zé Roberto e o grande poder de definição de Adriano. Atuando em casa, porém, o Flamengo não encontrava espaços para impor o seu estilo de jogo.

O Grêmio fazia muito bem o seu papel, honrando suas tradições. Para a diretoria, ficou o vexame de tirar os principais jogadores do time do duelo com o Flamengo, em clara demonstração do desejo de prejudicar o rival Inter. Mas os jogadores escalados pelo promissor Marcelo Rospide demonstraram organização tática e vontade de triunfar. E foi assim que a equipe abriu o placar e deixou os torcedores flamenguistas atônitos.

O Flamengo se enervou com o gol do Grêmio. Mas conseguiu ir para o intervalo em situação menos desconfortável graças ao zagueiro David, escalado apenas porque o titular Álvaro estava suspenso. No intervalo, Andrade honrou o prêmio de melhor técnico do Brasileirão. Mexeu com os brios do grupo e reorganizou o meio-de-campo.

Williams, que não conseguia ir bem na armação pela esquerda retornou para a cabeça de área. Melhorou a marcação e, principalmente, a saída de jogo do Flamengo. Léo Moura apoiava bem pela lateral direita, o time passou a sufocar o Grêmio, que contava com defesas precisas de Marcelo Grohe. Mas o gol do título rubro-negro saiu com Ronaldo Angelim. O zagueiro, que superou uma grave lesão no início do ano, e o time carioca mereciam essa coroação. Assim como Andrade, o eterno camisa 6, que conquistou o seu sexto título brasileiro.

Os defensores do mata-mata no Campeonato Brasileiro tiveram uma grande derrota na última rodada da competição neste ano. Foram dez jogos, sendo oito decisivos. Quatro deles foram históricos. O Alambrado aproveita o período de férias no futebol brasileiro (e também a preguiça e a falta de tempo para escrever) para relembrá-los. Começando pelo principal jogo daquele domingo histórico: Coritiba 1 x 1 Fluminense.

Tentem esquecer as cenas de violência, com invasão de campo e pancadaria generalizada que tomaram conta do Couto Pereira e de Curitiba após o apito final de Leandro Pedro Vuaden. Além da transformação do campo em uma praça de guerra, o outro único fato negativo do jogo foram os dez minutos de atraso do Fluminense. Coisa pequena, de um time que não precisou disso para evitar o rebaixamento.

O encontro entre Fluminense e Coritiba foi bem jogado, mas acima de tudo dramático, diante dos históricos das equipes. O Fluminense, depois de passar 27 das 37 rodadas do Brasileirão, enfim entrava em campo fora da zona da degola graças a uma impensável reação, com sete vitórias e três empates. Por isso, após tanta luta, uma derrota seria um desastre. O Coritiba era a principal vítima dessa recuperação do Tricolor, já que nem uma campanha regular nas rodadas finais lhe impediu de entrar em campo ameaçado de rebaixamento no último jogo do ano do seu centenário.

Com um incentivo maciço de seu torcedor, o Coritiba se lançou ao ataque, contando com bom rendimento ofensivo de Renatinho pela lateral esquerda. Mas o Fluminense, com mais qualidade técnica, conseguiu equilibrar o jogo. Fred, em momento técnico esplendoroso, dava muito trabalho aos defensores do Coritiba e criava as principais chances de gol do Tricolor.

Pela esquerda, havia Marquinho como resposta aos avanços de Renatinho. E foi em uma jogada (ensaiada?) entre Marquinho e Fred que o Fluminense abriu o placar, aproveitando o excesso de faltas cometidas pelo adversário. Ainda no primeiro tempo, em bom cruzamento de um pouco inspirado Marcelinho Paraíba, o Coritiba empatou o jogo e selou o clima de tensão que perduraria durante a etapa final.

O Coritiba sentiu a pressão de evitar o vexame do rebaixamento jogando em casa. Teve dificuldade para tramar boas jogadas ofensivas. Abusou de infrutíferas jogadas aéreas no segundo tempo e consagrou Gum, zagueiro apenas regular, mas que cresceu junto com o Fluminense na reta final do Brasileirão e ajudou o time a evitar a quase garantida vaga na Série B de 2010 ao Coritiba.

Uma das vantagens de um clube grande em um confronto decisivo contra um adversário de menor expressão é contar com a força de sua torcida. Os torcedores lotam o estádio, embalam e passam confiança ao time que, assim, fica mais perto de conseguir o resultado positivo necessário.

Mas time grande não é sinônimo de torcida que apóia incondicionalmente (e, aliás, nenhuma faz isso). E existem diferenças claras entre os apoiadores de cada clube. Enquanto atleticanos e flamenguistas, por exemplo, têm se notabilizado por lotarem estádios e empurrarem os seus times para triunfos, outras torcidas não caminham no mesmo ritmo e até atrapalham o desempenho dos jogadores.

O caso mais emblemático de 2009 acontece no Palmeiras, que sempre foi conhecido por ter uma torcida exigente até demais. A situação, porém, piorou neste ano. O fracasso retumbante na reta final do Campeonato Brasileiro, entregando o título e a vaga na próxima Libertadores aos adversários revoltou os torcedores.

Até aí, tudo normal. A raiva é um dos reflexos da paixão. O problema é que alguns integrantes de torcidas organizadas exageraram. Transformaram os protestos e as ameaças em violência. Lenny teve que se esconder para não ser agredido e Vagner Love apanhou e brigou com torcedores.

O resultado vem agora, após o encerramento do Brasileirão. O Palmeiras enfrenta dificuldades para se reforçar e ainda não conseguiu contratar nenhum jogador. Muriqui, ex-Avaí, que já havia até dado entrevistas confirmando que estava acertado com o clube preferiu se transferir para o Atlético. Outros jogadores vão tomar atitudes parecidas e o Palmeiras pagará pela irracionalidade e banditismo de alguns torcedores.

Os árbitros sofrem nas mãos da Fifa

Terça-feira, Dezembro 8, 2009

Quando o comitê executivo da Fifa foi convocado para uma reunião de emergência, se esperava que alguma decisão relevante fosse adotada diante do escandaloso gol que classificou os franceses para a Copa do Mundo de 2010. Era natural crer que alguma determinação fosse adotada, afinal o espetáculo proporcionado pelo futebol e as arbitragens estavam pressionadas e colocadas sob dúvida.

Evidentemente, ações como anulação da partida entre França e Irlanda ou colocação da seleção irlandesa como 33ª participante do Mundial da África do Sul estavam descartados, diante dos absurdos que são. Mas ao revelar que a entidade iria analisar a ampliação do número de assistentes em campo, Joseph Blatter fez surgiu uma esperançar, mesmo que a ajuda eletrônica , decisão mais óbvia e interessante, estivesse descartada.

O resultado do encontro, porém, foi pífio. A Fifa, entidade que não aceita nem a colocação de um chip eletrônico na bola, tergiversou. Não muda nada. Na Copa de 2010, o juiz continuará sendo auxiliado por dois assistentes. E, claro, também pelo quarto árbitro (e em alguns casos, ele dá uma conferida na TV para ver se o Zidane deu uma cabeçada no Zidane ou se o gol brasileiro foi evitado por um toque de mão malandro dos egípcios…).

A Fifa, em tempos de recessão e lenta recuperação da economia mundial, resolveu não permitir a criação de mais dois novos cargos de trabalho no futebol. A ação, adotada no último Campeonato Carioca e na Liga Europa, de colocar assistentes atrás dos gols está, por hora, vetada.

Difícil é entender o motivo. Segundo Blatter, é preciso ter cuidado, fazer testes, conversar com comitês de árbitros e médicos. Muitas reuniões infrutíferas, já que ainda não entenderam que os erros dos juízes são cada vez mais comuns porque o jogo se tornou mais rápido, os atletas correm muito mais do que antigamente e os árbitros estão com dificuldades para acompanhar o ritmo das partidas. Enquanto a Fifa não descobre o óbvio é melhor os juízes correrem para a academia. E também para o oftamologista.

Aos franceses, o rigor da lei

Terça-feira, Dezembro 8, 2009

A Ffia tem o poder, mas em alguns momentos decide manter a desordem. Entidade responsável pelo gerenciamento do futebol no mundo, prefere não adotar regras definitivas para poder intervir ao seu modo quando for preciso. Com a França foi assim. Sem poder voltar atrás no indecoroso lance que classificou os gauleses ao Mundial da África do Sul, deu um jeitinho de prejudicá-los, deixando-os fora da relação de cabeças de chave da Copa de 2010.

Malandramente, a Fifa nunca deixou muito claro como define as oito seleções que lideram os grupos do Mundial. Nas últimas edições, costumava ser uma mistura entre os resultados das Copas mais recentes e do ranking da entidade. Dessa vez, porém, isso mudou. E surpreendeu quem não esperava um julgamento draconiano dos franceses.

Para 2010, a Fifa resolveu levar em consideração apenas o seu ranking. Mas preferiu ignorar a lista de novembro, que era influenciado pelos resultados da repescagem da Eliminatórias e, principalmente, tinha a França entre os sete primeiros colocados. Assim, utilizou a lista de outubro, que, claro, deixou os franceses fora da posição de cabeça de chave.

A decisão pode ser correta, mesmo que ignorar os resultados dos últimos Mundiais pareça ser um abuso. E o recado dado para a França é claro: “Aos inimigos, a lei”. Para azar dos torcedores do novo inimigo da Fifa, a equipe também é desorganizada e Raymond Domenech não se entende com os jogadores. Resta contar com o talento de Henry, Gourcuff e Ribery. Difícil acreditar que isso seja suficiente.

Eu acreditei. Escrevi nesse blog que o Corinthians daria muito trabalho ao Flamengo no duelo do último domingo. Apostei que a instituição seria colocada à frente da rivalidade com São Paulo e Palmeiras. Não foi isso o que se viu na derrota por 2 a 0, no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas.

O Corinthians não ofereceu resistência suficiente ao Flamengo, porque foi muito burocrático. E faltou bola porque é difícil cobrar isso de jogadores como Escudero, Moradei e o menino Dodô, lançado prematuramente no time profissional. Sobrou nervosismo e reclamações exageradas de atletas, como Elias, mais preocupado em xingar o juiz do que em jogar futebol.

E ainda houve Felipe. O goleiro que detonou um suposto corpo mole do Internacional em partida contra o Goiás, que contribuiu para o rebaixamento corintiano em 2007, falou muito durante a semana. E deu uma demonstração patética de caráter ao ficar parado no pênalti cobrado e convertido por Léo Moura. A responsabilidade corintiana vai até esse ponto.

Afinal, não dá para apagar os méritos do Flamengo no triunfo que o colocou na liderança do Campeonato Brasileiro. O rubro-negro voltou a mostrar a sua força em partidas fora de casa, sabendo se defender e decidindo a partida nos contra-ataques, o que já virou rotina – foi assim também contra Náutico e Atlético.

E o excelente momento longe do Maracanã é um sinal da maturidade da equioe. O Flamengo controlou o jogo contra o Corinthians, e após fazer o primeiro gol da partida, não teve o seu triunfo ameaçado. Isso também por conta das excelentes atuações de alguns jogadores.

Bruno vive fase técnica incrível e, seguro, fez boas defesas nos raros ataques perigosos corintianos, que foram poucos graças ao Ronaldo Angelim, perfeito nas jogadas aéreas e em antecipações. Além disso, Airton teve atuação surpreendente, eficiente na marcação e ainda fazendo a saída de jogo com muita qualidade. Soma-se a isso ao brilhante desempenho de Zé Roberto, veloz, criativo e lutador. O Flamengo sobrou contra o Corinthians.